Skip to main content

Posts

Lula e a baleia

O filme “A lula e a baleia” retrata o divórcio de um casal novaiorquino e como o processo de guarda compartilhada afeta seus filhos. Os irmãos ficam divididos, sendo que o mais velho toma o lado do pai e o caçula tacitamente se aproxima da mãe.
** Assim como a família do filme, Lula está dividido. Ele sabe que a situação fiscal do Brasil é gravíssima e que a reforma da previdência é indiscutivelmente necessária. Por outro lado, se puder ser candidato a presidente e eventualmente se eleger (... mas livrai-nos do mal, amém ...), ele perderia muito capital político capitaneando um arrocho fiscal.
Lula é muito bom em surfar o que os outros fizeram antes dele e tomar para si a autoria daquilo que deu certo e/ou que caiu no gosto do eleitorado. Provavelmente, é sua maior competência. O grau de investimento foi conferido ao Brasil durante seu mandato, fruto da Lei de Responsabilidade Fiscal promulgada na gestão FHC. Mas Lula tomou para si esta conquista. O bolsa-escola, criado também na era FH…
Recent posts

Muito além do jardim

O clássico filme “Muito além do jardim” foi um dos pontos altos da carreira do célebre ator Peter Sellers. A película retrata a trajetória de Chauncey, um fictício jardineiro analfabeto que, por uma sequência fortuita de eventos, acaba se tornando um presidenciável messiânico em uma América abatida por sério revés econômico.
**
Em maio de 2017, o governo Temer entrou em crise após o jornalista Lauro Jardim publicar que o presidente havia sido gravado por Joesley Batista e que, no áudio, Temer dava aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha. O episódio teve diversos desmembramentos bem conhecidos, mas uma pergunta-chave passou ao largo da imprensa: como o jornalista teve acesso a material sigiloso que só foi disponibilizado ao público alguns dias depois?
O aúdio revela uma conversa obscura e reprovável, permeada com temas absolutamente não-republicanos e prevaricação do presidente. Mas, de forma alguma, mostra Temer dando aval a eventual compra de silêncio. Ou seja, se o jornalista …

Pretérito mais-que-imperfeito

O ex-ministro Pedro Malan certa vez disse que, no Brasil, até o passado é incerto. Não é 100% verdade. Há a certeza de que o passado sempre muda para pior, trazendo consequências que garantem que o Brasil nunca será o país do futuro.
A recente MP 806 que altera a tributação de fundos exclusivos é a perfeita demonstração disso.
Há cerca de 15 ou 20 anos, a Receita criou o “come cotas”. Parece nome de videogame vintage mas não é – tratava-se de um sistema para antecipar a cobrança de imposto de renda devido por cotistas de fundos de investimento.
Antes do nosso Pac-man fiscal, os cotistas eram tributados somente no resgate. Ou seja, um investidor pessoa-física que detivesse um título de 5 anos seria taxado apenas no vencimento do papel, ao passo que o cotista de um fundo de investimento que detivesse títulos de 1 ano e reinvestisse o capital todo ano só seria taxado no resgate de suas cotas, quem sabe ao final de 10 anos. Dito de outra forma, um fundo com estratégia de investimento de curt…

Não perturbe

A maioria dos quartos de hotel tem aquele penduricalho na maçaneta da porta: de um lado “não perturbe”, do outro “por favor, arrume”.
Os lares brasileiros precisam, com urgência, colocar o sinal “não perturbe” em suas portas. Os teatros, cinemas e museus idem. A “arte” perturbadora é um vírus como o ebola: vem dos “macaquinhos”, pula para o homem e causa estragos.
Nos últimos anos, agendas como ideologia de gênero e minorias LGBT têm ocupado um espaço desproporcional na mídia. Os “artistas” abraçam estas causas, espertamente usando-as como ferramenta de marketing e pegando carona naquilo que está dando Ibope. O resultado tem sido uma arte excessivamente politizada que, ultimamente, mutacionou para uma “arte” cujo único objetivo é ser perturbadora.
Nada errado com arte perturbadora: Picasso, Paganini, Machado de Assis não são exatamente uma dose de lexotan, mas indiscutivelmente são artistas atemporais. Também não há nada errado com a arte que acalma os sentidos, como Monet e Simon and Ga…

Rock in Sampa

Mais uma edição do Rock in Rio. Esse ano, como sempre, um monte de coisa que não é rock: Fergie, Ivete, etc. Tudo bem, pois os fãs de rock foram brindados com shows irretocáveis de clássicos como Def Leppard e Tears for Fears, além da lenda do rock The Who.
Certo? Errado.
As apresentações dessas bandas foram, de fato, excepcionais. Mas a organização do evento fez trapalhadas que o roqueiro carioca e os milhares de turistas que prestigiaram o evento não podem perdoar.
Def Leppard é uma banda cheia de história. O cancelamento da vinda na primeira edição do Rock in Rio, a amputação do braço de Rick Allen, a volta por cima com o mega-álbum Hysteria (um dos discos mais vendidos da história), a morte de Steve Clark e a ressurreição do conjunto com Vivian Campbell. E uma incontável coleção de clássicos nessa trajetória, um deles “Foolin“, música indispensável nos shows da banda desde o álbum Pyromania.
Bem... exceto no Rock in Rio. A desastrada organização, independente da magnitude do artista, …

Como água para chocolate

O filme mexicano “Como água para chocolate” foi um sucesso do cinema nos anos 90. Ele conta a história de Tita, uma jovem cuja família tinha uma regra: a irmã mais nova deveria cuidar da mãe até sua morte e, para isso, não poderia se casar.
No Brasil, temos diversos entes públicos cuja missão parece ser cuidar da burocracia até sua morte (teríamos um Highlander aqui?) e, para tal, não podem permitir o progresso econômico e social. O Cade é um deles.
Em 2002, a Nestlé firmou a compra da Garoto, promovendo a fusão em 2003. Agora – 14 anos depois da combinação das companhias – o Cade determina que a Nestlé é obrigada a vender certas marcas de seu portfólio. O leitor entendeu bem: 14 anos depois. E a burocracia segue vivinha da silva.
A missão do Cade é a “defesa econômica”, ou seja, evitar a formação de grupos ou cartéis que controlem preços e lesem o consumidor. Será que nesses 14 anos o consumidor de chocolates sentiu-se “indefeso”? Claro que não, pois o negócio de fabricação de chocolate…

Indigna Nação

Ah, os artistas... Sempre eles...
Samuel Rosa, líder da banda Skank, tentou dar um recadodurante sua apresentação no Rock In Rio mas não foi muito feliz. Esboçou uma linha de raciocínio meio tosca para esculachar os políticos brasileiros e separá-los do povo. Ninguém discorda que nossos políticos merecem ser esculachados, extirpados, presos. Mas você acredita mesmo no povo brasileiro, Samuel? Quem colocou os políticos em seus cargos, Samuel? “Cada povo tem o governo que merece”, já dizia Joseph-Marie Maistre em 1811.
O pior foi a reação do povão – aquele em que Samuel acredita. Os brados de “Fora, Temer” ecoaram em uníssono pelo mar de gente que lotava a Cidade do Rock. Será que ninguém entendeu nada? Samuel tentava separar o povo brasileiro de toda a escória política, e a galera responde com bordão de cunho político. Será que sabem que Rodrigo Maia – outro político, de família e de carteirinha – assumiria o comando? Meu Deus... Só faltou o grito de “Volta, Lula” para carimbar de vez q…