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A outra História brasileira

O brilhante filme "A outra História americana" traz Edward Norton interpretando o neo-nazista Derek Vinyard, atuação que lhe valeu a indicação ao Oscar de melhor ator. A narrativa mostra a mudança de comportamento de Derek após a perda do pai e como foi cooptado por um líder fanático. Derek acaba preso após assassinar um rival negro e, durante sua subsequente jornada na prisão, revisita sua vida e a ideologia que o destruiu, concluindo que nada do que defendia fazia sentido.

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Em recente viagem à Flórida, pude notar certos padrões de comportamento dos brasileiros quando expostos a fatores como (i) inserção em uma economia livre onde o estado deseja ser pequeno, (ii) inserção em um estado onde há o império da lei, e (iii) pequena recuperação econômica no Brasil com melhoria de expectativas. Tal é a diferença para o padrão habitual que talvez sejam distúrbios comportamentais? Ou será que, ao contrário do protagonista do filme, o brasileiro simplesmente consegue raciocinar mel…
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Santa incompetência

Os liberais advogam, há muito, que o estado deve se preocupar com educação, saúde e segurança; e que todo o resto deve ser privatizado. Em geral, quando isso é bem feito, funciona lindamente: o estado torna-se menor e, com menos impostos, consegue prestar serviços melhores. Concomitantemente, a iniciativa privada imprime bom funcionamento em outros serviços, tais como aeroportos, zoológicos, etc.
Mas nosso prefeito-pastor Crivella e seus apóstolos lograram o incrível feito de piorar certos serviços públicos após privatizá-los: um milagre!
Crivella e seu séquito licitaram a operação de certas ilhas de estacionamente em alguns pontos da cidade. Estes locais eram antes atendidos pelos vaga-certas (ou flanelinhas, como alguns chamam), cuja função era apenas coletar R$ 2 do motorista e anotar a placa do carro e o horário de chegada num tíquete.
Não há dúvida de que o vaga-certa é um sistema arcaico, um emprego de mão-de-obra keynesianoque gera valor zero ou negativo para a sociedade. Um parq…

Casa grande e senzala

Na próxima semana, Lula estará no Teatro Casa Grande no Rio de Janeiro, reunindo-se com artistas e intelectuais. Isso tudo faz parte do show de um Lula que teme a justiça e que agoniza antes de morrer politicamente. Mas há que se reconhecer que o evento é bem apropriado...
A esquerda é – de fato – um teatro. Os vermelhos reclamam do golpismo de Temer, mas esquecem que o escolheram para vice de Dilma. Reclamam de corrupção mas são contra a lava-jato. São contra cortes em saúde e educação, mas não querem nem aumento de impostos e nem reforma da previdência. Nada mais adequado do que se reunirem num teatro.
O nome Casa Grande também vem muito bem a calhar. Regimes comunistas são escravizantes: ao tirar a liberdade econômica da população, colocando o estado como protagonista, impedem que o indivíduo busque seu bem-estar e que, ao fazê-lo, eleve o bem-estar da sociedade. Ou alguém acha que a Coréia do Norte é um país livre? Ou que vive-se bem na Venezuela?
Os artistas e intelectuaissentem-se …

Vox odiosis

1983. I can’t believe the news today.Assim começava a canção Sunday Bloody Sunday, que ajudou o U2 a ganhar popularidade, precedendo sua ascensão ao estrelato alguns anos mais tarde com o álbum Joshua Tree.
Naquela época, mesmo contando com músicos tecnicamente limitados, o U2 compunha músicas poderosas, pautadas por mensagens pacifistas e permeadas pela originalidade do guitarrista The Edge. Sunday Bloody Sunday foi uma dessas canções, com letra inspirada na tensão nacionalista/separatista entre Irlanda do Norte e o restante do Reino Unido que escalou substancialmente nos anos 70 e 80.
Bono Vox era a personificação do sujeito do povo, sem firulas de estrela do rock, desferindo vocalizações potentes e cruas e congregando os fãs a se distanciarem do “sistema”.
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2017. I can’t believe the news today. É mesmo inacreditável a notíciade que Bono Vox é esperado no Brasil para o julgamento de Lula no caso do tríplex em janeiro de 2018.
Aparentemente, Bono terá como companhia Pepe Mujica (o do…

Sunôb demográfico

Atenção: a Companhia Municipal de Iluminação abrirá 50 vagas para acendedores de postes. Não é necessária experiência prévia. Os candidatos devem comparecer à sede da empresa. Esta notícia certamente pertenceria ao século XVIII ou XIX, correto? Não necessariamente...
Há poucas semanas, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro votou pela proibição da função dupla do motorista de ônibus. Ou seja, se o prefeito sancionar o texto, será necessária a presença de um cobrador em cada coletivo.
O leitor pode pensar “isso é bom porque gera emprego”. No entanto, quem cai na tentação de tecer este raciocínio não percebe que o custo do cobrador é pago por toda a sociedade. A passagem de ônibus fica mais cara e isso afeta o custo do vale-transporte pago pela empresas, que por seu turno repassam o encargo para o preço de seus produtos. Portanto, quando o cidadão compra um chocolate ou um xampu, está pagando um preço onerado pelo o custo do cobrador de ônibus.
“Mas o município pode subsidiar a passagem”... …

Alerjia

Quem dera sofrêssemos de alergia. Alergia a políticos corruptos, discursos populistas, candidaturas messiânicas. Se fosse assim, o Rio de Janeiro teria alguma esperança de – aos poucos – limpar a imundície que toma conta do poder público fluminense.
Nesse caso, poderíamos espalhar uma epidemia alérgica pelo Brasil todo, ajudando a extirpar as figuras podres que dominam a política em outros estados e cidades. Dessa forma, o país teria alguma chance de dar certo.
Mas os eleitorados fluminense e brasileiro padecem de outro mal: alerjia. É uma doença gravíssima que atrai o indivíduo para aquilo que lhe é nocivo –  é como no dito popular “mulher de malandro gosta de apanhar”. O paciente alérjico tem espamos involuntários de repúdio à sua condição, achando aquilo tudo “um nojo”, mas isso logo passa.
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A podridão da Alerj e da cena política do Rio de Janeiro não se instalou na calada da noite. Não houve golpe de estado ou luta armada. Todos os parlamentares que lá estão entraram pela porta da f…

Lula e a baleia

O filme “A lula e a baleia” retrata o divórcio de um casal novaiorquino e como o processo de guarda compartilhada afeta seus filhos. Os irmãos ficam divididos, sendo que o mais velho toma o lado do pai e o caçula tacitamente se aproxima da mãe.
** Assim como a família do filme, Lula está dividido. Ele sabe que a situação fiscal do Brasil é gravíssima e que a reforma da previdência é indiscutivelmente necessária. Por outro lado, se puder ser candidato a presidente e eventualmente se eleger (... mas livrai-nos do mal, amém ...), ele perderia muito capital político capitaneando um arrocho fiscal.
Lula é muito bom em surfar o que os outros fizeram antes dele e tomar para si a autoria daquilo que deu certo e/ou que caiu no gosto do eleitorado. Provavelmente, é sua maior competência. O grau de investimento foi conferido ao Brasil durante seu mandato, fruto da Lei de Responsabilidade Fiscal promulgada na gestão FHC. Mas Lula tomou para si esta conquista. O bolsa-escola, criado também na era FH…