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Sunôb demográfico

Atenção: a Companhia Municipal de Iluminação abrirá 50 vagas para acendedores de postes. Não é necessária experiência prévia. Os candidatos devem comparecer à sede da empresa. Esta notícia certamente pertenceria ao século XVIII ou XIX, correto? Não necessariamente...
Há poucas semanas, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro votou pela proibição da função dupla do motorista de ônibus. Ou seja, se o prefeito sancionar o texto, será necessária a presença de um cobrador em cada coletivo.
O leitor pode pensar “isso é bom porque gera emprego”. No entanto, quem cai na tentação de tecer este raciocínio não percebe que o custo do cobrador é pago por toda a sociedade. A passagem de ônibus fica mais cara e isso afeta o custo do vale-transporte pago pela empresas, que por seu turno repassam o encargo para o preço de seus produtos. Portanto, quando o cidadão compra um chocolate ou um xampu, está pagando um preço onerado pelo o custo do cobrador de ônibus.
“Mas o município pode subsidiar a passagem”... …
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Alerjia

Quem dera sofrêssemos de alergia. Alergia a políticos corruptos, discursos populistas, candidaturas messiânicas. Se fosse assim, o Rio de Janeiro teria alguma esperança de – aos poucos – limpar a imundície que toma conta do poder público fluminense.
Nesse caso, poderíamos espalhar uma epidemia alérgica pelo Brasil todo, ajudando a extirpar as figuras podres que dominam a política em outros estados e cidades. Dessa forma, o país teria alguma chance de dar certo.
Mas os eleitorados fluminense e brasileiro padecem de outro mal: alerjia. É uma doença gravíssima que atrai o indivíduo para aquilo que lhe é nocivo –  é como no dito popular “mulher de malandro gosta de apanhar”. O paciente alérjico tem espamos involuntários de repúdio à sua condição, achando aquilo tudo “um nojo”, mas isso logo passa.
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A podridão da Alerj e da cena política do Rio de Janeiro não se instalou na calada da noite. Não houve golpe de estado ou luta armada. Todos os parlamentares que lá estão entraram pela porta da f…

Lula e a baleia

O filme “A lula e a baleia” retrata o divórcio de um casal novaiorquino e como o processo de guarda compartilhada afeta seus filhos. Os irmãos ficam divididos, sendo que o mais velho toma o lado do pai e o caçula tacitamente se aproxima da mãe.
** Assim como a família do filme, Lula está dividido. Ele sabe que a situação fiscal do Brasil é gravíssima e que a reforma da previdência é indiscutivelmente necessária. Por outro lado, se puder ser candidato a presidente e eventualmente se eleger (... mas livrai-nos do mal, amém ...), ele perderia muito capital político capitaneando um arrocho fiscal.
Lula é muito bom em surfar o que os outros fizeram antes dele e tomar para si a autoria daquilo que deu certo e/ou que caiu no gosto do eleitorado. Provavelmente, é sua maior competência. O grau de investimento foi conferido ao Brasil durante seu mandato, fruto da Lei de Responsabilidade Fiscal promulgada na gestão FHC. Mas Lula tomou para si esta conquista. O bolsa-escola, criado também na era FH…

Muito além do jardim

O clássico filme “Muito além do jardim” foi um dos pontos altos da carreira do célebre ator Peter Sellers. A película retrata a trajetória de Chauncey, um fictício jardineiro analfabeto que, por uma sequência fortuita de eventos, acaba se tornando um presidenciável messiânico em uma América abatida por sério revés econômico.
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Em maio de 2017, o governo Temer entrou em crise após o jornalista Lauro Jardim publicar que o presidente havia sido gravado por Joesley Batista e que, no áudio, Temer dava aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha. O episódio teve diversos desmembramentos bem conhecidos, mas uma pergunta-chave passou ao largo da imprensa: como o jornalista teve acesso a material sigiloso que só foi disponibilizado ao público alguns dias depois?
O aúdio revela uma conversa obscura e reprovável, permeada com temas absolutamente não-republicanos e prevaricação do presidente. Mas, de forma alguma, mostra Temer dando aval a eventual compra de silêncio. Ou seja, se o jornalista …

Pretérito mais-que-imperfeito

O ex-ministro Pedro Malan certa vez disse que, no Brasil, até o passado é incerto. Não é 100% verdade. Há a certeza de que o passado sempre muda para pior, trazendo consequências que garantem que o Brasil nunca será o país do futuro.
A recente MP 806 que altera a tributação de fundos exclusivos é a perfeita demonstração disso.
Há cerca de 15 ou 20 anos, a Receita criou o “come cotas”. Parece nome de videogame vintage mas não é – tratava-se de um sistema para antecipar a cobrança de imposto de renda devido por cotistas de fundos de investimento.
Antes do nosso Pac-man fiscal, os cotistas eram tributados somente no resgate. Ou seja, um investidor pessoa-física que detivesse um título de 5 anos seria taxado apenas no vencimento do papel, ao passo que o cotista de um fundo de investimento que detivesse títulos de 1 ano e reinvestisse o capital todo ano só seria taxado no resgate de suas cotas, quem sabe ao final de 10 anos. Dito de outra forma, um fundo com estratégia de investimento de curt…

Não perturbe

A maioria dos quartos de hotel tem aquele penduricalho na maçaneta da porta: de um lado “não perturbe”, do outro “por favor, arrume”.
Os lares brasileiros precisam, com urgência, colocar o sinal “não perturbe” em suas portas. Os teatros, cinemas e museus idem. A “arte” perturbadora é um vírus como o ebola: vem dos “macaquinhos”, pula para o homem e causa estragos.
Nos últimos anos, agendas como ideologia de gênero e minorias LGBT têm ocupado um espaço desproporcional na mídia. Os “artistas” abraçam estas causas, espertamente usando-as como ferramenta de marketing e pegando carona naquilo que está dando Ibope. O resultado tem sido uma arte excessivamente politizada que, ultimamente, mutacionou para uma “arte” cujo único objetivo é ser perturbadora.
Nada errado com arte perturbadora: Picasso, Paganini, Machado de Assis não são exatamente uma dose de lexotan, mas indiscutivelmente são artistas atemporais. Também não há nada errado com a arte que acalma os sentidos, como Monet e Simon and Ga…

Rock in Sampa

Mais uma edição do Rock in Rio. Esse ano, como sempre, um monte de coisa que não é rock: Fergie, Ivete, etc. Tudo bem, pois os fãs de rock foram brindados com shows irretocáveis de clássicos como Def Leppard e Tears for Fears, além da lenda do rock The Who.
Certo? Errado.
As apresentações dessas bandas foram, de fato, excepcionais. Mas a organização do evento fez trapalhadas que o roqueiro carioca e os milhares de turistas que prestigiaram o evento não podem perdoar.
Def Leppard é uma banda cheia de história. O cancelamento da vinda na primeira edição do Rock in Rio, a amputação do braço de Rick Allen, a volta por cima com o mega-álbum Hysteria (um dos discos mais vendidos da história), a morte de Steve Clark e a ressurreição do conjunto com Vivian Campbell. E uma incontável coleção de clássicos nessa trajetória, um deles “Foolin“, música indispensável nos shows da banda desde o álbum Pyromania.
Bem... exceto no Rock in Rio. A desastrada organização, independente da magnitude do artista, …