Thursday, October 5, 2017

Não perturbe

A maioria dos quartos de hotel tem aquele penduricalho na maçaneta da porta: de um lado “não perturbe”, do outro “por favor, arrume”.

Os lares brasileiros precisam, com urgência, colocar o sinal “não perturbe” em suas portas. Os teatros, cinemas e museus idem. A “arte” perturbadora é um vírus como o ebola: vem dos “macaquinhos”, pula para o homem e causa estragos.

Nos últimos anos, agendas como ideologia de gênero e minorias LGBT têm ocupado um espaço desproporcional na mídia. Os “artistas” abraçam estas causas, espertamente usando-as como ferramenta de marketing e pegando carona naquilo que está dando Ibope. O resultado tem sido uma arte excessivamente politizada que, ultimamente, mutacionou para uma “arte” cujo único objetivo é ser perturbadora.

Nada errado com arte perturbadora: Picasso, Paganini, Machado de Assis não são exatamente uma dose de lexotan, mas indiscutivelmente são artistas atemporais. Também não há nada errado com a arte que acalma os sentidos, como Monet e Simon and Garfunkel. Uma não é melhor ou pior que a outra. Exceto no Brasil: aqui, só tem valor o que perturba – quanto mais incômodo causar, melhor.

Exagero? Que tal a peça “Macaquinhos”? Ou a apologia ao grafite? Ou o Queermuseu? Ou o recente episódio da criança interagindo com um modelo nu numa mostra? Mas a “obra” que literalmente entrou para os anais foi esta aqui: “Artistas introduzem objetos no ânus paraquestionar as relações da sociedade” (Será que não se cansaram de levar estocadas dos governos petistas?)

E não para por aí. Pabllo Vittar foi apontado por alguns veículos de mídia como o “melhor show” da recente edição do Rock in Rio. Sério? O cidadão fez uma participação especial de 10 minutos num show de uma Fergie decadente. Será que a contribuição de Pabllo Vittar para um festival com mais de 50 horas de música não foi demasiadamente exaltada pelo fato de ele ser transgênero? Se não houvesse nada perturbador em Pabllo Vittar seu cameo ganharia status de protagonismo? O segundo melhor show deve ter sido o de Lady Gaga.

O Brasil tornou-se um país chato. Muito chato. Hoje em dia, antes de consumir arte, o brasileiro se pergunta qual a orientação política do músico: “É de direita? Não quero nem ouvir!”. Não interessa se o artista é bom compositor ou instrumentista virtuoso, pois há outros atributos que precedem estas questões. Por outro lado, se um ator medíocre se declarar gay, vira mito.

Freddie Mercury sempre foi um gênio, antes e depois de se assumir gay. Ney Matogrosso é um senhor artista, e, salvo engano, jamais revelou sua orientação sexual apesar de seu forte componente performático – ele não precisa se valer disso, pois sobra-lhe talento. Ninguém vai a um show de Elton John por conta de ele ser gay, o intuito é tão somente apreciar uma lenda viva da música e suas maravilhosas canções. Será que o jovem de hoje tem que elucubrar o que John Lennon pensaria da Lava-jato antes de opinar sobre uma canção dos Beatles? Imagine...

Pena que no Brasil estejamos ensinando às novas gerações que aquilo que perturba é mais salutar do que aquilo que é “convencional” e do que aquilo que tem mérito. Aqui, o aposto tem mais poder que o substantivo próprio: o fulano não é o “João, brilhante cirurgião” – é o “cirurgião transgênero João”. Nada mais sectário no curto prazo e inconsequente no longo: o preço do incentivo torto virá com o tempo, produziremos uma geração medíocre, cheia de apostos e sem o conteúdo necessário para produzir progresso. É o “quem indica” com outra roupagem. 

(Parênteses: o leitor prefere fazer uma cirurgia com qual João? No fim do dia, todos convergem para o “convencional”.)

Se a perturbação não parar logo, será impossível “arrumar a casa” quando decidirmos virar o aviso da porta.


Saturday, September 30, 2017

Rock in Sampa

Mais uma edição do Rock in Rio. Esse ano, como sempre, um monte de coisa que não é rock: Fergie, Ivete, etc. Tudo bem, pois os fãs de rock foram brindados com shows irretocáveis de clássicos como Def Leppard e Tears for Fears, além da lenda do rock The Who.

Certo? Errado.

As apresentações dessas bandas foram, de fato, excepcionais. Mas a organização do evento fez trapalhadas que o roqueiro carioca e os milhares de turistas que prestigiaram o evento não podem perdoar.

Def Leppard é uma banda cheia de história. O cancelamento da vinda na primeira edição do Rock in Rio, a amputação do braço de Rick Allen, a volta por cima com o mega-álbum Hysteria (um dos discos mais vendidos da história), a morte de Steve Clark e a ressurreição do conjunto com Vivian Campbell. E uma incontável coleção de clássicos nessa trajetória, um deles “Foolin“, música indispensável nos shows da banda desde o álbum Pyromania.

Bem... exceto no Rock in Rio. A desastrada organização, independente da magnitude do artista, fixou o tempo de cada show e obrigou o Def Leppard a abreviar seu setlist. É isso mesmo: o fã que esperou desde 1985 pela banda não ouviu “Foolin“ e algumas outras canções porque o tempo era cronometrado e controlado. Tudo a ver com rock ‘n roll!

Como teria sido Woodstock se algum executivo mandasse: “Hey, Mr. Hendrix, finish this guitar solo right now! You need to finalize the concert on time!" ?

Aproveitando o gancho, tivemos este ano o gigante The Who, um sobrevivente de Woodstock, um dinossauro do rock, uma lenda viva mesmo sem Keith Moon e John Entwistle. Apesar de ter ajudado a inventar o rock, o The Who não ganhou o status de headliner, aparentemente celebrando um acordo de cavalheiros com a organização e o Guns’n Roses. Isso mesmo: Guns’n Roses, aquela banda que tem três ou quatro discos de estúdio e que adora fazer covers de monstros como Bob Dylan, Paul McCartney e Aerosmith para rechear seu material inconsistente. (Certo, Guns tem alguns clássicos como Sweet Child O’Mine, Civil War, You Could Be Mine, mas também muito lixo digno de bandinha de garagem no meio)

Até dava para relevar a ordem das bandas, afinal o rock cura... Mas os organizadores tiveram a insensatez de manter a limitação de tempo até para o show do The Who, não obstante se tratar de Roger Daltrey e Pete Townshend. É o mesmo que tirar o Pelé no intervalo do jogo decisivo para dar chance a um garoto do juvenil. 

Resultado: o setlist do The Who foi minorado em três ou quatro canções. Retificando: três ou quatro hinos, um deles “The seeker”. Adivinhe quem tocou esta música naquela noite? Guns’s Roses! Isso mesmo: barraram o original para dar mais tempo à cópia. Fazendo jus a seu repertório limitado, um desafinado Axl Rose apelou para uma penca de covers para encher seu setlist. Clássicos do rock made in China.

Parece maluquice mas pode acreditar, " 'cause baby I'm not foo-foo-foo-foolin" !!

Em se tratando de questão de ordem, a ironia é que The Who não pôde executar seu setlist completo mas Axl pode corriqueiramente atrasar o início de seu show em 2 horas que é sempre convidado a retornar ao festival. Democracia é isso aí. Chinese Democracy, melhor dizendo.

O fã de rock que não se importava em perder Ivete e Fergie pôde acompanhar The Who e Def Leppard em São Paulo. E, surpresa: ouviu “Foolin“, “The seeker” (a original) e outras tantas.

Definitivamente, o Rio de Janeiro é a cidade do funk e do pagode. Somos deaf, dumb and blind. Sir Paul McCartney e U2 tomaram a acertada decisão de não passar por aqui em suas atuais turnês. Isso aqui é Anitta, po@*#a!!

Mr. Medina, who do you think you are? 


Friday, September 29, 2017

Como água para chocolate

O filme mexicano “Como água para chocolate” foi um sucesso do cinema nos anos 90. Ele conta a história de Tita, uma jovem cuja família tinha uma regra: a irmã mais nova deveria cuidar da mãe até sua morte e, para isso, não poderia se casar.

No Brasil, temos diversos entes públicos cuja missão parece ser cuidar da burocracia até sua morte (teríamos um Highlander aqui?) e, para tal, não podem permitir o progresso econômico e social. O Cade é um deles.

Em 2002, a Nestlé firmou a compra da Garoto, promovendo a fusão em 2003. Agora – 14 anos depois da combinação das companhias – o Cade determina que a Nestlé é obrigada a vender certas marcas de seu portfólio. O leitor entendeu bem: 14 anos depois. E a burocracia segue vivinha da silva.

A missão do Cade é a “defesa econômica”, ou seja, evitar a formação de grupos ou cartéis que controlem preços e lesem o consumidor. Será que nesses 14 anos o consumidor de chocolates sentiu-se “indefeso”? Claro que não, pois o negócio de fabricação de chocolate não tem barreiras à entrada tão fortes. Quando o retorno sobre o capital investido é alto demais (ou seja, praticam-se preços demasiadamente elevados), novos entrantes ingressam no mercado oferecendo preços menores para ganhar market share.

Além disso, houve o milagre da importação – bem-vindos, Lindt, Cadbury e Milka. O governo Collor já mostrara que abrir o canal de importação para certos produtos consegue – ao mesmo tempo – reduzir preços ao consumidor e melhorar a qualidade. Quem não se lembra das nossas carroças?

Por falar em carros – carroças, para ser mais preciso: é ao menos curioso que um mesmo país tenha, ao mesmo tempo, o super-herói Cade e a excrecência Autolatina. É para defender quem mesmo? Será que, na época da Autolatina e durante o agigantamento da JBS, o Cade estava muito ocupado com o setor de balas de menta?

Voltando aos chocolates, a decisão extemporânea do Cade é risível. Aproveitando o trocadilho com uma das marcas que deve ser vendida – Lollo, aquela da vaquinha e antigamente conhecida como Milky Bar – o Cade permitiu à Nestlé “milk the cow” por 14 anos para agora a companhia ser obrigada a vender a vaca leiteira. Defesaça, Cade!

Hoje em dia, o consumidor que entra em qualquer loja de conveniência ou mercado encontra diversas marcas de chocolate com preços em diversos patamares. Arcor, Hershey’s, Nestlé, Neugebauer, Lacta, Lindt, Milka, dentre tantas outras. Se a Nestlé/Garoto tentasse cobrar um preço abusivo, o consumidor teria diversas outras opções para escolher. O Cade é o super-herói que chega sempre atrasado, o zagueiro que só dá furada, a burocracia que não morre.

Na fantasia do filme mexicano, os sentimentos de Tita passam para sua comida e inebriam os comensais – ora com tristeza, ora com libido, e por aí vai. Diferentemente do filme, a burocracia tardia do Cade não mudou e nem vai mudar nada na vida de quem consome chocolate, mas entorpece as contas públicas e a atividade econômica com ingredientes desnecessários. Tal qual a CLT, uma herança maldita dos nossos governos nacionalistas/socialistas. Arghhh, chocolate vencido!!


Saturday, September 16, 2017

Indigna Nação

Ah, os artistas... Sempre eles...

Samuel Rosa, líder da banda Skank, tentou dar um recado durante sua apresentação no Rock In Rio mas não foi muito feliz. Esboçou uma linha de raciocínio meio tosca para esculachar os políticos brasileiros e separá-los do povo. Ninguém discorda que nossos políticos merecem ser esculachados, extirpados, presos. Mas você acredita mesmo no povo brasileiro, Samuel? Quem colocou os políticos em seus cargos, Samuel? “Cada povo tem o governo que merece”, já dizia Joseph-Marie Maistre em 1811.

O pior foi a reação do povão – aquele em que Samuel acredita. Os brados de “Fora, Temer” ecoaram em uníssono pelo mar de gente que lotava a Cidade do Rock. Será que ninguém entendeu nada? Samuel tentava separar o povo brasileiro de toda a escória política, e a galera responde com bordão de cunho político. Será que sabem que Rodrigo Maia – outro político, de família e de carteirinha – assumiria o comando? Meu Deus... Só faltou o grito de “Volta, Lula” para carimbar de vez que “a gente somos inúuuutel”.

Samuel tentou consertar, afirmando que – “de um lado ou de outro, nós não nos parecemos com os políticos”. Pareceu tentar dizer que, independente de sua ideologia, nenhum político lhe representa. Mas o “Fora, Temer” continuou. Seria bom Samuel esclarecer de qual lado ele próprio está, visto que vez ou outra fez declarações pró-PT. Samuel, as malas de dinheiro às quais você aludiu são atribuídas a um sujeito que era ministro do governo PT...

No meio do seu “discurso”, Samuel afirmou que o dinheiro das malas deveria estar sendo empregado em mais leitos nos hospitais, na educação, nas estradas e “para a nossa criançada não cair no crime”. Como o sujeito que tem uma banda batizada com nome de entorpecente (e que, naquele mesmo palco em 2013, fez uma leve apologia à maconha) pode querer passar uma mensagem anti-drogas? Será que estava chapado?

Samuel ensaiou um acerto ao criticar a “passividade” do povo brasileiro que “felizmente está se dissipando”. Relaxa, Samuel: daqui a pouco tem carnaval no país tropical e aí a passividade deixa de dissipar e volta com força total. Pena que, num piscar de olhos durante sua fala, Samuel “passivamente” desistiu de criticar a parcimônia do brasileiro, perdendo uma grande oportunidade de atribuir ao nosso eleitorado bobalhão a sua justa parcela de culpa nisso tudo.

Na sequência, Samuel entoou  a canção “Indignação”. Como o discurso foi uma baita bola fora, poderia tê-lo emendado com o hit “É uma partida de futebol”.

Festival de rock é um bom lugar para protestar e, de fato, não faltam motivos para protesto no Brasil – Lula, Temer, Aécio, Dilma, Geddel, etc. Mas os artistas se esforçam para desafinar. Dinho até deu o recado em 2013, mesmo que atrapalhado e sem eloquência. João Barone atravessou feio o tempo em 2015. E agora Samuel nos deixa rosas de vergonha... Dá-lhe, Fabio Júnior!


Monday, September 11, 2017

Yes, we have storms!

Enquanto o mundo inteiro acompanha o furacão Irma, é interessante imaginar como seriam os furacões do Atlântico se eles nascessem no Brasil...

Os furacões Gisele, Alessandra e Izabel já conhecemos bem. Saíram do Brasil, chegaram aos EUA, arrebentaram por lá e continuam causando estragos aos corações.

O furacão Neymar seria ensaboado, driblando os fiscos de todos os países por onde passasse. Geddel, por sua vez, faria chover dinheiro vivo.

A tempestade Fernando Henrique seria inofensiva – daria palpite em tudo mas não sairia do lugar, ficando sempre à esquerda.

Já o furacão Jandira carregaria faixas ridículas (“Não mexam nos meus direitos”), posaria com “intelectuais”, defenderia marginais, drogados e arruaceiros, mas no final só teria 3% de votação. Categoria 1, sem necessidade de evacuação. Causa mais raiva, indignação e vergonha do que devastação. Freixo é parecido, porém muito mais perigoso. Conta com alto poder destrutivo apesar de parecer uma brisa do mar.

Joesley seria um furacão de trajetória única. Atravessaria o Brasil inteiro sem perder força, para, ao chegar ao oceano, teletransportar-se para Nova Iorque onde acalmaria instantaneamente. Só causaria danos mesmo ao Brasil. Wesley viria na sequência, fornecendo quentinhas superfaturadas de linguiças recheadas de papelão para as famílias desabrigadas. O governo financiaria este projeto a uma taxa camarada.

Chico, historicamente, é uma tempestade mediterrânea, acometendo primordialmente países como Itália e França. Só de vez em quando aparece no Brasil para dar uma tumultuada. Este já cansou a nossa beleza e ele sabe disso.

O furacão Wyllys seria espalhafatoso, gesticuloso, cuspindo para todo lado (assim como Abreu); mas também teria danos contidos. É sempre a mesma turminha de “estudantes” que está em sua trajetória. Para os demais, é um zero à esquerda.

Quanto ao furacão Crivella, ninguém nunca o viu ou registrou sua ocorrência. Há dúvidas sobre sua existência. Já o furacão Dória corre o risco de “acelerar” demais e logo perder a força – seria uma pena.

As tempestades Dilma, Lula e Cabral criam uma nova classe de furacões, a "categoria X". O "X" aqui é uma incógnita mesmo, pois a devastação causada por eles é de difícil medição. Mesmo anos depois de sua passagem, descobrem-se danos bilionários antes escondidos nos escombros. É como se conseguissem estocar vento.

O furacão Gilmar seria o equivalente atmosférico da caixa de Pandora. Libertaria todos os demais tornados e tempestades, deixando-os soltos para causar os danos que bem quisessem. Uma arma de destruição em massa de fazer inveja ao maluco da Coréia do Norte.

E, finalmente, o furacão Gérson deixaria o Irma no chinelo. Gérson quer levar vantagem em tudo, então furaria a fila, passando à frente dos demais furacões e frustrando qualquer previsão meteorológica acerca da sua trajetória. Não haveria tempo para evacuação, seria devastador. Os brasileiros de bem que o digam.


Friday, August 25, 2017

Intelectuais, uma vírgula

Ah, nossos intelectuais... Que turminha tinhosa. Não perdem a chance de se imiscuírem em qualquer debate, sobre qualquer assunto, sendo que em 99% dos casos defendem ideias datadas, estapafúrdias e/ou de interesse próprio (mas não prescindindo do disfarce altruísta).

Recentemente, num ato em suporte ao juiz Bretas (e, claramente, expondo o lamentável Gilmar Mendes) parecem ter tido o raro 1% de acerto. Será?

Quase. Bateu na trave. O cartaz que foi utilizado para o “momento Kodak” do evento continha um erro grosseiro de português. “Não se separa o sujeito do predicado com vírgula”, repetem ad nauseum os professores de Língua Portuguesa. Mas nossos intelectuais cravaram lá: “O Rio, está com você”. Respondendo na mesma moeda: “Este autor, lamenta que vocês tenham tanto espaço na mídia”.



Não foi só em Língua Portuguesa que nossa “elite intelectual” levou bomba na escola. Não aprenderam nada em matemática. Qualquer criança de seis anos que já saiba somar e diminuir consegue antever que aquele que gasta mais do que arrecada vai bater no muro alguma hora. Mas nossos atores e cantores não se furtam a sustentar que a reforma da previdência é maligna. Os backing vocals desta cansada interpretação ficam a cargo de Chico Alencar, Molon e afins, cuja cara de pau é merecedora de Oscar: “Não mexam nos meus direitos”, costuma dizer o cartaz que carregam para o Congresso. Nobres deputados, é justamente nos vossos direitos (leia-se: regalias) que temos que mexer!

Mas, certamente, o pior desempenho desta trupe foi em História. Não entenderam nada. “O Capital” virou jornal velho 10 anos após sua publicação, pois a Revolução Industrial melhorou a vida das famílias. Os ídolos da esquerda – Chávez, Guevara, Fidel, Pol Pot, Lênin, Mao Tsé-Tung –  foram, na verdade, impiedosos assassinos contrários a qualquer forma de democracia. Berlim foi reunificada pela falência do modelo socialista, que – com trocadilho, e como previra a criança de seis anos – bateu no muro.

Nossos pensadores também não aprenderam quem foram Mussolini, Hitler e outros tantos. Não conseguem ver que as ideias que hoje defendem deixariam Il Duce orgulhoso e – pior – saem por aí bradando “fascista!” a qualquer um que se oponha à pauta dos partidos de esquerda. Devem ter perdido a aula onde o professor explanou que o Nazismo era uma filosofia socialista que denunciava o individualismo e o materialismo, enaltecendo o estado como grande protagonista. Partido Nacional Socialista, National Sozialist, Nazi. Captaram agora? So-ci-a-lis-ta.

Será que estavam à toa na vida este tempo todo?

Há muito já passou da hora de mídia e público entenderem que não basta tocar bem um instrumento, compor uma boa canção, subir num palco ou interpretar um traficante em série da Netflix para se qualificar como intelectual. Parafraseando Dilma Rousseff – que não canta, não compõe e não atua, mas já pegou em armas clandestinamente e, portanto, é intelectual qualificada – é “estarrecedor” que se aceite que qualquer artista possa ter uma opinião valiosa sobre qualquer assunto concernente à sociedade. Ressalva: fazendo justiça a Dilma, ninguém profere discursos tão memoráveis quanto os seus – é, de fato, uma artista.

Ser cantor não qualifica o sujeito a opinar sobre maioridade penal com mais propriedade que um engenheiro, um marceneiro ou um veterinário. Não é mesmo, Chico? Ser atriz não dá à cidadã a virtude da clarividência sobre relações trabalhistas ou tributação. A pessoa que se empenha no estudo de técnicas de interpretação ou impostação vocal certamente não se especializa em cálculo atuarial (dica para os intelectuais: aqui, fala-se de previdência, ok?).

Portanto, intelectuais: se não têm nada de útil a dizer, calem-se. O povo de bem do Brasil já cansou de vinho tinto. 



Saturday, May 20, 2017

Suprema inconsistência

Nova crise política deflagrada pela gravação da conversa do presidente Temer com Joesley Batista. Mudam os protagonistas, segue o circo em Brasília.

Neste momento de incerteza, especulam-se cenários e, em cada um deles, qual seria o rito no Supremo Tribunal Federal e como a corte se posicionaria. Muitos brasileiros confiam na higidez do STF e na sua condição de bastião da democracia, da justiça e da Constituição.

Infelizmente, nestes últimos dois ou três anos de bandalheira, o STF tem sido um espetáculo à parte. Tragicômico, senão pastelão. A corte que deveria servir de exemplo ao poder judiciário apresentou comportamento errático, inconsistente e, por vezes, vergonhoso.

Lembremos:

O STF retirou Renan Calheiros da linha sucessória pelo fato de ele ser réu. Então, por que motivo cósmico Lula, também réu, pode ser candidato à presidência? A sociedade está cansada de dois pesos e duas medidas, afinal todos são (ou deveriam ser) iguais perante a lei. Não ensinam mais isso na faculdade de Direito?

O STF decidiu que a famosa gravação “tchau, querida” entre Lula e Dilma deveria ser desconsiderada como prova na avaliação sobre a possibilidade de Lula assumir ou não a Casa Civil. “Não se pode grampear o presidente” foi a tese da vez, embora a tal gravação tenha sido oriunda de escuta autorizada no telefone de Lula, cidadão comum e sem foro especial, apenas mais um desempregado dentre os 14 milhões que temos. Agora o entendimento mudou: uma gravação, esta clandestina, do presidente Temer não só é aceita como válida mas também é gatilho para a abertura de um inquérito pelo STF. Hein?

Uma corte cuja razão de ser é prezar pelo cumprimento da Constituição conseguiu o feito de rasgá-la a céu aberto. Em um de seus mais lastimáveis momentos, o STF validou a manobra de Renan Calheiros de não tornar Dilma inelegível por consequência do impeachment, ferindo frontalmente o que reza nossa carta magna. Qualquer pessoa que compreenda a língua portuguesa é capaz de concluir que o artigo que trata desta matéria não dá margem a interpretações.

Suprema inconsistência, Batman!

Mas talvez o ápice da disfunção do STF seja a homologação do acordo de delação de Joesley Batista e seus asseclas da JBS.

Joesley conseguiu barganhar a sua liberdade e migração para um país estrangeiro depois de ter cooptado um sem número de políticos e servidores públicos. Este boçal ainda teve a pachorra de – através da JBS – divulgar uma nota de desculpas onde diz que a culpa é do “sistema brasileiro" e que no exterior conseguiu “expandir negócios sem transgredir os limites da ética".

Joesley, com todo o respeito – se é que merece algum – vá se foder! Você chegou onde chegou transigindo todo e qualquer princípio ético, beneficiou-se de recursos dos contribuintes que morrem na fila dos hospitais, que não encontram vagas em escolas públicas e que não gozam de segurança pública decente. Em um país sério, você não teria prosperado, Joesley. Em um país sério, você ficaria 300 anos na cadeia. Tome cuidado nos EUA...

A nota de “desculpas” da JBS é uma afronta a todo brasileiro que acorda cedo para trabalhar ou para buscar emprego de forma honesta. Estes também enfrentam o “custo Brasil” e, ainda assim, não cruzam a linha da ética. Joesley, sua carta é também um acinte a empresários brasileiros que prosperaram de forma proba, sem recursos subsidiados do BNDES ou favores do governo, vencendo o “sistema brasileiro" com competência, investimento e criatividade, gerando empregos e, merecidamente, acumulando algum patrimônio (ainda que com cifras que padeçam frente sua fortuna suja de esterco e papelão).

O pior de tudo é o STF anuir a esta palhaçada. Ao fazê-lo, o STF sentenciou que o crime compensa no Brasil. Deixa de ser inconsistência e torna-se inconsequência. Suprema inconsequência, Robin!

Joesley, ungido pelo STF, protagonizou na vida real a célebre cena de Marco Aurélio, personagem de Reginaldo Faria na profética novela Vale Tudo. Na trama, Marco Aurélio dá um desfalque na empresa onde trabalhava, foge para o exterior com o dinheiro e dá uma banana para o Brasil. Joesley roubou todos os brasileiros, se mandou para os EUA e enfiou uma linguiça (recheada de papelão) em todos nós.