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3:19

“Do pó vieste e ao pó retornarás” (Gênesis, 3:19)
Aécio Neves deve sentir-se vivendo numa montanha-russa – em menos de 3 anos passou de quase-presidente a réu no STF. Merece mesmo voltar ao pó: foi gravado em negociatas inaceitáveis onde, inclusive, insinua que poderia matar seu primo. Que faça boa companhia a Lula na prisão e que inaugure uma longa temporada de condenações no STF.
A derrocada de Aécio, no entanto, pode ser o início do fim do PSDB. Oxalá! Trata-se de um partido que, repetidamente, prestou um desserviço à nação.
No governo FHC, a foto parecia boa com pretensa responsabilidade fiscal. Ocorre que a equipe de FHC criou uma máquina de arrecadação, aumentou a carga tributária em cerca de 5 pontos percentuais do PIB, onerou a atividade empresarial e viciou o estado em lidar com questões orçamentárias sempre aumentando tributos. A foto virou um filme ruim, sem nenhuma cena de corte de despesas. E o filme foi ficando ainda pior...
FHC, do alto de sua infindável vaidade e buscando …
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Munique é aqui

Os jogos olímpicos de Munique em 1972 foram marcados pelo terrorismo que vitimou onze atletas israelenses e um policial alemão. O massacre foi promovido pelo grupo Setembro Negro, que invadiu o alojamento da equipe de Israel, fez vários reféns e – com o impasse nas negociações – promoveu a execução de diversos inocentes.
Durante a crise, um dos planos de resgate concebido pela polícia alemã consistia em entrar no prédio pelos dutos de ar-condicionado e, com isso, surpreender os terroristas. Ocorre que as equipes de TV que faziam a cobertura no local transmitiram ao vivo os preparativos da operação-surpresa e ninguém se deu conta de que os terroristas poderiam estar assistindo a tudo aquilo... De fato estavam ,e exigiram que a polícia abortasse a operação ou os reféns seriam executados.
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Em 2018, nossa imprensa televisiva cometeu o mesmo erro de Munique 1972.
O teatro de Lula e do PT encenado nos dias 6 e 7 de abril contava com uma pequena plateia ao vivo. As tomadas aéras mostraram que…

A outra História brasileira

O brilhante filme "A outra História americana" traz Edward Norton interpretando o neo-nazista Derek Vinyard, atuação que lhe valeu a indicação ao Oscar de melhor ator. A narrativa mostra a mudança de comportamento de Derek após a perda do pai e como foi cooptado por um líder fanático. Derek acaba preso após assassinar um rival negro e, durante sua subsequente jornada na prisão, revisita sua vida e a ideologia que o destruiu, concluindo que nada do que defendia fazia sentido.

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Em recente viagem à Flórida, pude notar certos padrões de comportamento dos brasileiros quando expostos a fatores como (i) inserção em uma economia livre onde o estado deseja ser pequeno, (ii) inserção em um estado onde há o império da lei, e (iii) pequena recuperação econômica no Brasil com melhoria de expectativas. Tal é a diferença para o padrão habitual que talvez sejam distúrbios comportamentais? Ou será que, ao contrário do protagonista do filme, o brasileiro simplesmente consegue raciocinar mel…

Santa incompetência

Os liberais advogam, há muito, que o estado deve se preocupar com educação, saúde e segurança; e que todo o resto deve ser privatizado. Em geral, quando isso é bem feito, funciona lindamente: o estado torna-se menor e, com menos impostos, consegue prestar serviços melhores. Concomitantemente, a iniciativa privada imprime bom funcionamento em outros serviços, tais como aeroportos, zoológicos, etc.
Mas nosso prefeito-pastor Crivella e seus apóstolos lograram o incrível feito de piorar certos serviços públicos após privatizá-los: um milagre!
Crivella e seu séquito licitaram a operação de certas ilhas de estacionamente em alguns pontos da cidade. Estes locais eram antes atendidos pelos vaga-certas (ou flanelinhas, como alguns chamam), cuja função era apenas coletar R$ 2 do motorista e anotar a placa do carro e o horário de chegada num tíquete.
Não há dúvida de que o vaga-certa é um sistema arcaico, um emprego de mão-de-obra keynesianoque gera valor zero ou negativo para a sociedade. Um parq…

Casa grande e senzala

Na próxima semana, Lula estará no Teatro Casa Grande no Rio de Janeiro, reunindo-se com artistas e intelectuais. Isso tudo faz parte do show de um Lula que teme a justiça e que agoniza antes de morrer politicamente. Mas há que se reconhecer que o evento é bem apropriado...
A esquerda é – de fato – um teatro. Os vermelhos reclamam do golpismo de Temer, mas esquecem que o escolheram para vice de Dilma. Reclamam de corrupção mas são contra a lava-jato. São contra cortes em saúde e educação, mas não querem nem aumento de impostos e nem reforma da previdência. Nada mais adequado do que se reunirem num teatro.
O nome Casa Grande também vem muito bem a calhar. Regimes comunistas são escravizantes: ao tirar a liberdade econômica da população, colocando o estado como protagonista, impedem que o indivíduo busque seu bem-estar e que, ao fazê-lo, eleve o bem-estar da sociedade. Ou alguém acha que a Coréia do Norte é um país livre? Ou que vive-se bem na Venezuela?
Os artistas e intelectuaissentem-se …

Vox odiosis

1983. I can’t believe the news today.Assim começava a canção Sunday Bloody Sunday, que ajudou o U2 a ganhar popularidade, precedendo sua ascensão ao estrelato alguns anos mais tarde com o álbum Joshua Tree.
Naquela época, mesmo contando com músicos tecnicamente limitados, o U2 compunha músicas poderosas, pautadas por mensagens pacifistas e permeadas pela originalidade do guitarrista The Edge. Sunday Bloody Sunday foi uma dessas canções, com letra inspirada na tensão nacionalista/separatista entre Irlanda do Norte e o restante do Reino Unido que escalou substancialmente nos anos 70 e 80.
Bono Vox era a personificação do sujeito do povo, sem firulas de estrela do rock, desferindo vocalizações potentes e cruas e congregando os fãs a se distanciarem do “sistema”.
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2017. I can’t believe the news today. É mesmo inacreditável a notíciade que Bono Vox é esperado no Brasil para o julgamento de Lula no caso do tríplex em janeiro de 2018.
Aparentemente, Bono terá como companhia Pepe Mujica (o do…

Sunôb demográfico

Atenção: a Companhia Municipal de Iluminação abrirá 50 vagas para acendedores de postes. Não é necessária experiência prévia. Os candidatos devem comparecer à sede da empresa. Esta notícia certamente pertenceria ao século XVIII ou XIX, correto? Não necessariamente...
Há poucas semanas, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro votou pela proibição da função dupla do motorista de ônibus. Ou seja, se o prefeito sancionar o texto, será necessária a presença de um cobrador em cada coletivo.
O leitor pode pensar “isso é bom porque gera emprego”. No entanto, quem cai na tentação de tecer este raciocínio não percebe que o custo do cobrador é pago por toda a sociedade. A passagem de ônibus fica mais cara e isso afeta o custo do vale-transporte pago pela empresas, que por seu turno repassam o encargo para o preço de seus produtos. Portanto, quando o cidadão compra um chocolate ou um xampu, está pagando um preço onerado pelo o custo do cobrador de ônibus.
“Mas o município pode subsidiar a passagem”... …