Sunday, November 29, 2015

Vendaval da mudança?

O vendaval que destruiu a estrutura da árvore de Natal da Lagoa reacendeu animosidades de alguns cariocas. Nas redes sociais, pôde-se ver uma onda de comentários comemorando o possível cancelamento da festividade este ano, enquanto outros moradores torcem para que a árvore seja consertada a tempo do Natal.

Certamente a árvore de Natal gera movimento intenso de carros e pessoas e traz mais transtorno ao já caótico trânsito de dezembro na cidade (não que o trânsito seja bom nos demais meses...). Os moradores da Lagoa e bairros próximos têm, portanto, motivo legítimo para criticar a árvore: ela atrapalha enormemente seu ir e vir.

Por outro lado, a árvore é uma diversão gratuita, atraindo moradores de áreas mais pobres e constituindo ótimo programa familiar numa época de confraternização. Ademais, o evento movimenta bastante o comércio da orla da Lagoa (formal e informal), ocasionando receitas relevantes aos quiosques e ambulantes. O município também se beneficia, levando à rua hordas de guardas com talonários de multa sempre à mão - um exército com o mandato de reforçar o caixa e, se der, ajudar a organizar o trânsito.

Este debate - reiniciado pelo vendaval - deveria inspirar mudanças à maneira como a prefeitura organiza o evento. Hoje, de fato, a árvore da Lagoa não traz nenhum benefício duradouro à cidade, Se houvesse distribuição gratuita de pipoca, seria o perfeiro "pão e circo" - mas hoje é apenas um circo que ajuda o carioca a esquecer o quadro lamentável da economia da cidade, os impostos crescentes, a má conservação de ruas e monumentos e, principalmente, as obras que nunca terminam. Há ainda o agravante bairrista de que é uma empresa paulista que explora o cartão postal carioca. 

Há muito espaço para melhorar...

A prefeitura deveria estabelecer uma licitação a cada cinco ou dez anos para a exploração da árvore da Lagoa. As empresas que desejarem gozar desta peça de publicidade ofertariam um pacote de melhorias longevas à cidade, concentradas nos bairros próximos à Lagoa e com marcos anuais (que, se não cumpridos, implicariam na perda da concessão). O pacote de melhorias mais atratente determinaria a empresa vencedora. Alguns exemplos de obras que teriam grande serventia: reasfaltamento e expansão da ciclovia, construção de estacionamentos subterrâneos, revitalização e manutenção de canteiros, instalação de câmeras de segurança... E também a tal da despoluição da Lagoa, já falada e debatida há décadas, mas nunca concretizada.

A licitação por meio de benfeitorias evitaria a circulação de dinheiro, minimizando o risco de corrupção no processo. Além disso, os moradores do entorno da Lagoa - indiscutivelmente prejudicados nos meses do evento - teriam uma contrapartida poderosa. O evento deixaria de ser "pão e circo" e traria dividendos à cidade.

Caso a árvore de Natal acenda este ano, ela deveria se vestir de luto pelo ciclista que foi esfaqueado e morto na Lagoa e pelo nosso legislativo que insiste em proteger jovens bandidos.

Friday, November 13, 2015

Jason vive

(Este artigo foi escrito à época das demonstrações "pró-Dilma" ocorridas em 13 de março de 2015, também uma "sexta-feira 13". Na ocasião, não foi publicado. Aproveito o ensejo desta "sexta-feira 13" para postar o texto. Uma pena que as manifestações "pró-decência" tenham perdido força no ínterim e que Jason Inácio ensaie mais uma ressurreição.)


Sexta-feira 13 recheada de manifestações pró-Dilma: a bandeira reciclada e cansada do PT combina muito bem com a data. Afinal, “Sexta-feira 13” é, também, a série de filmes mais contrangedora que já foi produzida. Não só pelas infindáveis sequências, mas também pelas maneiras inverossímeis e fantasiosas pelas quais Jason ressuscita. Parece o PT.

Durante a campanha eleitoral de 2014, o PT culpou a “crise internacional” pela piora da economia. Seria aquela crise já distante de 2008-09, da qual os Estados Unidos saíram fortalecidos e com economia hoje pujante? A tal “crise” é como o Jason que nunca morre: quando as coisas vão mal, a “crise” está sempre lá, vivinha, servindo bem ao discurso do PT, que não tem competência para produzir um filme melhor para os brasileiros.

Nos atos pró-Dilma da sexta-feira 13, pediu-se reforma política. Segundo o enredo da atual sequência 38 (ou seria 39, tal qual o número de ministérios?), a corrupção só pode ser eliminada se houver reforma política. Ou seja, só existe corrupção pois o meio é permissivo. Os mensaleiros e petroleiros não cometeriam “malfeitos” se o sistema político fosse adequado. Alguém lembra do primeiro filme Sexta-feira 13 e do porquê de Jason ter virado um assassino? As 38, 39, 40 continuações sangrentas da saga ocorreram porque o coitadinho não estava inserido num contexto adequado.

O Jason do filme usa uma máscara furadinha ridícula e carrega um facão ensanguentado. Só falta o boné do MST para integrar o exército do Stédile. Seria do alto escalão.

O eleitor do PT tapa o sol com a peneira. Podia usar a máscara do Jason e seus furinhos. Acredita em salvador da pátria, em fada-dos-dentes, em coelhinho da Páscoa, todos eles disfarces de Jason. Não quis enxergar que estava sendo conduzido a um estelionato eleitoral em 2014. Afinal, Dilma prometeu que não subiria juros, que a inflação estava sob controle e que o Brasil ia crescer.

O políticos lulopetistas também usam máscara – escondem-se em qualquer desculpa conveniente, dizem que impeachment é golpismo (não era no Fora Collor), aliam-se com quem interessa ao plano de poder. Dilma iludiu a população com essa máscara nas eleições de 2014, mas em poucos meses ela já caiu. É então que o PT exibe suas armas – as ameaças, o facão ensanguentado. E busca uma nova maneira inventiva de ressuscitar.

O partido tão fiel aos seus ideais – “vamos calotar a dívida externa”, “vamos acabar com o lucro dos bancos”, e outros brados retumbantes – mostrou-se um Jason imortal nestes cruéis 12 anos de governo. A cada escândalo ou “malfeito” ressurge como “partido da ética”, “partido que investiga”, ”partido progressista” – é o “nunca antes na história”. Funcionou em todas as sequências do filme nos últimos 12, quase 13 (número maldito) anos.


Nos patéticos filmes de Jason, a mocinha sempre tem a brilhante ideia de tomar um banho tranquilo à noite em uma casa abandonada, apesar de vários amigos já terem sido vitimados pelo assassino impiedoso nas imediações. O eleitor brasileiro foi a mocinha do filme que passou em 2014. E, se persistir alheio ao banho de sangue que os Jasonpetistas estão promovendo nas nossas empresas estatais, na nossa infraestrutura e na nossa credibilidade, a série de filmes pode finalmente acabar: não sobrará nada! No ritmo atual, pode acabar antes de 2018.


Friday, November 6, 2015

É social!

No meio de uma séria recessão, onde a solução para o problema fiscal do país passa necessariamente por voltar a crescer o PIB, o governo enfia mais um imposto goela abaixo da classe média. O FGTS para empregados domésticos é um aborto da natureza, só mesmo uma administração irresponsável como a do PT poderia implementar uma barbaridade tamanha. E no pior momento possível.

O empregado doméstico, como o nome diz, trabalha num domicílio. O domicílio é sustentado por trabalhadores, a maioria deles assalariados de classe média. Toda vez que o governo aumenta encargos trabalhistas, achata a renda discricionária dos domicílios que empregam cozinheiras, faxineiras, jardineiros, babás e outros profissionais. No limite, a renda familiar torna-se insuficiente e o funcionário tem que ser demitido ou ficar na informalidade se quiser manter o emprego. (Isso sem falar no aumento da conta de luz, aquela que a presidente garantiu que não ia subir... pelo jeito ela não conseguiu estocar vento suficiente...)

O ponto não é se o empregado deveria fazer jus ao FGTS ou não. Mas sim o fato de que as empresas (ou boa parte delas) conseguem repassar para o preço de seus produtos e serviços os aumentos de custos oriundos das barbeiragens do governo. Um domicílio, no entanto, não tem esta capacidade. Não é possível para um assalariado pedir ao seu chefe um aumento de salário de forma a absorver o incremento de custo.

As empresas gozam de diversas flexibilidades que um domicílio não tem, como por exemplo acessar empréstimos a taxas camaradas (com trocadilho) no BNDES. Portanto, querer equiparar trabalhadores domésticos aos de empresas é mais uma idiotice populista que trará efeitos colaterais danosos à nossa combalida economia.

Fazer justiça social com (mais) dinheiro dos outros é falácia. O e-social vai gerar desemprego, informalidade e mais recessão. O ódio do PT à classe média vai estourar na mão dos trabalhadores domésticos.

Para coroar a empreitada, o governo exigiu o cadastro on-line dos empregados numa plataforma que simplesmente não funciona, escancarando sua incompetência 360 graus. No país recordista de homens-hora anuais necessários paraquitar as obrigações fiscais, eis que o governo entende que nossa “liderança” não é suficiente e faz força para se distanciar do segundo colocado em ineficiência, a poderosa Bolívia. O número de horas que as famílias já gastaram – sem lograr sucesso – para registrar seus funcionários no e-social é o retrato da nossa eterna aceitação da ineficiência. Somos o país das filas, carimbos, repartições, certidões, etc.

Como já dizia Raul Seixas, “Plunct-Plact-Zum não vai a lugar nenhum”. Não vamos mesmo.