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Showing posts from 2016

Frágil, extremamente frágil

O que torna um sistema robusto? Como aumentar esta robustez ao longo do tempo?

O livro “Antifragile” de Nassim Taleb fecha o ciclo iniciado na sua primeira publicação “Fooled by Randomness” e seguido por “Black Swam”. Nestas obras, Taleb aborda os temas de eventos aleatórios, fenômenos não-lineares, (im)previsibilidade, dentre outros, e ajuda a responder as perguntas acima.

No volume final – “Antifragile” – Taleb mostra como pequenos choques são importantes para aumentar a robustez de qualquer sistema ou organização. É o que cunha de “antifrágil”, ou seja, algo que se torna mais resistente com o tempo. Um dos exemplos citados por Taleb, óbvio e inquestionável, é a observação da natureza – o indivíduo é frágil, mas o sistema é antifrágil: quando surge um novo vírus ou bactéria, a população exposta ao novo agente pode sofrer baixas significativas (indivíduos) mas, ao final, o sistema sobrevivente torna-se mais robusto, pois cria defesas a estes agentes.

Se não houvesse choques esporád…

Achtung Baby

O professor de História entra na sala de aula, portando consigo uma cópia de Mein Kampf, atraindo olhares obtusos dos alunos.
— Bom dia, turma. Hoje nossa aula será dedicada a estudar a jornada e o legado de um grande líder do século XX. Eu gostaria de começar no longínquo ano de...
— Nazista! Nazista! Eu me recuso a ficar aqui ouvindo você falar desse monstro, interrompe uma aluna.
— Calma, pondera o professor. Eu ia apenas dizendo que ele começou a moldar sua liderança por acreditar que podia unir seu povo num governo solidário. Ocorre que...
— Solidário, professor?! – brada outro aluno. Ele criou massas de manobra, verdadeiros escravos. A solidariedade não existia. Era um socialismo de fachada onde os “amigos do rei” tinham tudo do bom e do melhor enquanto o povo passava fome.
— Veja – retruca o professor. Ele se interessou pela política em parte por encontrar exatamente um cenário de devastação econômica, com alto desemprego e nações militarmente mais fortes se beneficiando finan…

Carroças

Parem as prensas!!! Já está à venda o Del Rey modelo 2017 top de linha. Opcionais desta versão mega-premium SLXX incluem: aquecimento, relógio, barra e cadeado anti-furto, luz interna, retrovisor do carona, pisca-pisca nas laterais e encostos para cabeça. Em 2018, o Del Rey SLXX terá trava elétrica.
O anúncio acima é obviamente uma ficção caricata. Ou, quem sabe, uma realidade paralela? Como seriam os automóveis de fabricação nacional se Fernando Collor, há quase 30 anos, não tivesse dito que nossos carros eram carroças?
À época, a declaração de Collor enfureceu a Autolatina – joint-venture entre Ford e VW que controlava cerca de 60% da produção nacional... Não pela Autolatina entender que Collor denegrira a imagem de seus produtos (os executivos sabiam que, de fato, os carros eram horríveis... bem como qualquer pessoa que já houvesse alugado um carro nos EUA ou Europa), mas sim porque estava claro que viria competição a qualquer momento.
De fato: Collor abriu o mercado para carros impo…

We don’t need another Hiroo

As linhas cantadas pelo vozeirão de Tina Turner na trilha sonora de Mad Max são inesquecíveis:
Out of the ruins
Out from the wreckage
Can’t make the same mistake this time 
(…) We don’t need another hero (…)
Parecem ter sido escritas sob medida para o Brasil de hoje, um país saindo dos escombros da era PT e sem margem para cometer qualquer erro (que dirá os mesmos erros de antes). Enfim, não precisamos de outro herói. Não queremos um salvador-da-pátria, e sim um estado sério, eficiente e barato.
All we want is life beyond the Thunderdome.
No filme, o Thunderdome era uma arena que sediava lutas armadas. Assim como na canção: sim, queremos viver além do Thunderdome. Queremos um Brasil sem “nós-contra-eles”, sem lutas sociais por pura ideologia, sem maniqueísmos - enfim, um país pacífico sob o império da lei para todos.

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Também não precisamos de um novo Hiroo.
Hiroo Onoda foi o último (ou um dos últimos, segundo algumas fontes) soldado japonês a se render na Segunda Guerra Mundial, aceitando a…

Zeros à esquerda

Uma das observações mais intrigantes quanto aos políticos de esquerda é a diminuta posição patrimonial que insistentemente declaram à Justiça Eleitoral. Este ano, na eleição municipal do Rio de Janeiro, houve alguns representantes importantes desta trupe: Molon - antes de herdar alguns bens – reportava R$ 26 mil enquanto Freixo informa a quantia de R$ 5 mil.
Ora, um cidadão que ganha salário mínimo e consegue, após certo tempo, acumular R$ 5 mil, ou R$ 26 mil, é um herói. Ele mostra disciplina orçamentária e diligência em seus investimentos. Em contrapartida, é muito curioso que um parlamentar com salário mensal de R$ 20 mil (ou mais) além de incontáveis ajudas de custo chegue ao final de vários mandatos (ou mesmo de meio mandato) com um patrimônio tão pequeno...
Há algumas hipóteses não-excludentes a serem consideradas para explicar este fenômeno:
A declaração à Justiça Eleitoral não ser fidedignaO sujeito ser um gastador patológicoO sujeito ser um péssimo investidor de suas reservasO s…

Na sala de aula

Escola e classe hipotéticas. Professor, infelizmente, baseado em fatos reais. Aula de História em algum lugar do Brasil.
— Bom dia, turma. Hoje vamos falar sobre democracia, um conceito que nasceu na Grécia Antiga e...
— Professor – interrompe um aluno – Se é um conceito tão antigo, por que vamos estudá-lo? Estamos no século XXI...
— Boa pergunta. Ideias boas, como as de Marx e outros, mesmo que antigas, devem ser bem entendidas para, então, ser colocadas em prática. No caso em pauta, é importante estudar o que é democracia para entendermos bem o golpe de estado que ocorreu no Brasil este ano. Vejam que...
— Professor, Marx não é aquele escritor que pregava a socialização dos meios de produção?
— É sim – completou outro aluno – E as ideias dele nunca deram certo. Nem em Cuba, nem na Venezuela e nem na Coréia do Norte, só levaram a sofrimento, miséria e atraso. E tem mais...
— Silêncio – interrompe “democraticamente” o professor. O assunto que vamos estudar hoje é democracia. Vamos nos ater …

Cheirinho de hepta

O cheirinho de hepta está no ar... Não, ele não se dissipou depois do empate do Flamengo com o São Paulo. Na verdade, o cheirinho ficou mais forte no último fim de semana.
É o cheiro do hepta da cidade do Rio de Janeiro! O heptacampeonato depior eleitorado das galáxias. Um povo demente que não entende que as escolhas de hoje terão consequências por vários amanhãs. Um bando de desmiolados que gosta de politizar até eleição de síndico e comodoro. Uma cidade que, mesmo passados 56 anos, ainda tem ranço de ser ex-capital.
Exagero? Então vejamos o rol de títulos.
O estado, com expressiva ajuda dos cariocas, elegeu Garotinho em 1998, Garotinha em 2002, e Cabralzinho duas vezes, em 2006 e 2010. Para a prefeitura, a cidade conseguiu façanhas à altura, escolhendo Saturnino em 1985 e Benedita em 1992. Somos hexa!
(Pausa: nem se computa aqui o bicampeonato do desastroso Leonel Brizola para não “bater em morto”)
E agora com Freixo temos a chance de levar o hepta. Já pensaram? Marcelo Freixo, um candid…

Vaia que é tua, Brasil!!

Os Jogos Olímpicos do Rio estão rolando a todo vapor. Claro, houve problemas de organização, de logística e de abastecimento, já esperados e também observados em outras edições dos Jogos.
Canos entupidos na vila e piscina com água verde vão dar pano para manga, mas é tudo coisa pouca perto da festa do esporte e da confraternização dos povos. E o Brasil parece o lugar ideal para confraternizar, com sua gente alegre e hospitaleira.
Há, no entanto, uma importante ressalva. O brasileiro não sabe usar corretamente o instrumento da vaia. Assim como ainda não aprendemos a usar o voto, falta-nos o entendimento do que representa a vaia e de como ela deve ser aplicada.
Por exemplo: vaiar Michel Temer na abertura dos jogos é uma burrice inenarrável, qualquer que seja sua orientação política ou partidária. Trata-se de um momento solene, onde Temer representava o país-sede dos Jogos, e não uma corrente partidária. Vaiá-lo perante os olhos do mundo inteiro é lavar roupa suja em público. Pior: é va…

Os 33

“Os 33” é um filme que mostra a história dos 33 mineiros que ficaram soterrados depois do desabamento de uma mina de cobre no Chile. O acidente ocorreu em 2010 e, graças a um trabalho coordenado e eficiente de autoridades e técnicos, todos os 33 trabalhadores foram resgatados com vida após incríveis 69 dias aprisionados a 700 metros de profundidade. Esta operação de salvamento, merecidamente, é motivo de orgulho nacional no país.
No Brasil, também temos nossos “33” – os trinta e três bárbaros que recentemente promoveram e filmaram o estupro coletivo de uma jovem de 16 anos. Não há palavras para descrever esta monstruosidade. Ela é a antítese do resgate chileno, pois soterra a sociedade ordeira sob o medo e a desesperança.
Estupro é crime hediondo. Filmá-lo é requinte de crueldade.  Estupro coletivo com 33 homens, no entanto, ganha status de tortura.
Os parlamentares e artistas de esquerda que – com razão – se enojam quando Bolsonaro enaltece um ex-torturador, têm suas mãos manchadas …

MinCana que eu gosto!

Artistas reclamando sem parar sobre o fim (efêmero) do MinC, que novidade... Nossos artistas adoram reclamar, mas não percebem que quem reclama muito perde a coerência em algum momento.
Reclamaram da meia entrada mas pedem maior disseminação da cultura.
Reclamaram dos sistemas de compartilhamento de arquivos mas querem que a cultura chegue aos mais pobres.
Reclamaram da censura no regime militar mas se apressam em censurar biografias não-autorizadas.
Reclamaram do fim do MinC mas não comemoraram seu retorno.
Os artistas adoram aparecer defendendo os “fracos e oprimidos” com discursos fatigados de esquerda. E não é só aqui no Brasil: Sean Penn e Danny Glover servem de exemplos patéticos em outras terras. Assim como Chico, Caetano e outros tupiniquins, dizem-se defensores da democracia mas enaltecem Chávez e Castro.
O caso de Cuba, um hit no meio artístico, é risível. Como alguém que se proclama democrata faz apologia de um regime que ocupa o poder há quase 60 anos sem nunca ter recebi…

Sonho grande – Carta aberta a Michel Temer

Excelentíssimo senhor Temer,
Junto a outros milhões de brasileiros cansados de assistir à deterioração do Estado brasileiro, enchi-me de esperança com a vitória do impeachment na Câmara dos Deputados. Nós brasileiros depositamos nossa esperança em seu vindouro governo, que terá a hercúlea tarefa de reparar tantos males causados por treze anos de lulopetismo.
Tento não perder o ânimo quando leio sobre seus possíveis homens de confiança e eventuais ministros. Trata-se de um momento muito delicado: retrocedemos algumas décadas sob a batuta petista e urge recuperar o terreno perdido. Neste momento, um ministério de indicações políticas trará um custo gigantesco para o Brasil e nos colocará de vez numa espiral viciosa que destruirá mais algumas décadas.
Ao contrário, o momento é de descrença na classe política: este foi o grande legado do PT, infelizmente. De forma a conquistarmos a mínima credibilidade necessário para que o país tenha fôlego para implementar as reformas necessárias, é precis…

Ippon

“Não vai ter golpe”. Este é o novo brado dos petistas, dos “intelectuais” e daqueles que participam dos protestos pró-Dilma mediante pagamento e lanchinho. A própria presidente vem usando o bordão em todos os seus discursos desde que sentiu que realmente seu cargo está ameaçado por todos os flancos possíveis. 
A maior ironia é que já houve golpe. Ou melhor: golpes, no plural. E todos eles perpetrados pelo PT. Surpreso? Então o bonde da História passou e você não percebeu.
O primeiro golpe petista foi usurpar o “Bolsa Escola”, programa iniciado no governo FHC e com regra objetiva de eligibilidade: criança na escola. O PT encampou a autoria do programa, deu-lhe novo nome, alardeou o “Bolsa Família” aos quatro ventos e conferiu-lhe proporções paquidérmicas. Criou um assistencialismo sistêmico e contraproducente, desincentivando a busca pelo emprego e pela capacitação. Convenientemente, tornou os milhões de beneficiários dependentes do estado e com isso comprou seu voto nas eleições seguint…

Primeira Exibição

Nos anos 80, a porta de entrada de um filme na grade da Rede Globo era o “Primeira Exibição”. Tratava-se da sessão que ia ao ar aos sábados logo após a novela da oito, sempre trazendo um filme inédito na TV brasileira. Depois de debutar no Primeira Exibição, o filme passava a fazer parte do catálogo da Rede Globo e ocasionalmente era reprisado na Sessão da Tarde, no Corujão, ou em outros programas.
Como ocupavam um horário nobilíssimo, os filmes do Primeira Exibição eram esticados ao limite da paciência do telespectador para incluir o máximo de inserções comerciais. O filme começava na “parte 1”, mas logo no primeiro momento de maior tensão já vinha o primeiro intervalo comercial. Voltava na “parte 2” e, de novo quebrando o clímax: intervalo comercial. E assim iam seguindo “parte 3”, “parte 4”, “parte 5”. Quando o mistério ia ser desvendado quase no finzinho do filme... intervalo comercial!!?! Então, após longa espera, o filme retornava com o gerador de caracteres mostrando “parte fina…

O país dos desalmados

(Com a colaboração de Ricardo Jourdan)
A declaração do ex-presidente Lula – “não existe, neste país, alma viva mais honesta do que eu” – causou alvoroço. Os milhões de brasileiros que cansaram do PT e se enojam com o mar de lama em que nosso país está metido se revoltaram. Os aliados de Lula o enalteceram, tudo com um clima muito acalorado.
No entanto, sob a calma da lógica e da matemática, é possível demonstrar que a afirmação de Lula tem baixíssima probabilidade de ser verdadeira. Tão baixa que, estatisticamente, rejeita-se a hipótese de ela ser verdadeira.
O exercício é, na verdade, muito simples.
A hipótese implícita na afirmação de Lula é de que, dentre os mais de 200 milhões de indivíduos que residem no Brasil, não há um sequer mais honesto do que ele. Não chega a ser tão improvável como acertar a mega sena (1 chance em 650 milhões), mas está longe de ser um evento trivial – é análogo à probabilidade de acertar a mega sena com 3 apostas.
Só isso já bastaria para rejeitar a hipót…

Carta de renúncia

(Sugestão para a eventual renúncia da nossa Presidenta)

Queridos povo brasileiro e póvoa brasileira,
No meu governo, eu investigo. No meu governo não há meta, para que, depois de atingida a meta, possamos dobrar a meta. Cumpri minha missão: investigamos, prendemos e mais do que dobramos a meta de criminosos que estão com a mandioca assando. Mostra que evoluímos e, como Mulher Sapiens, fico muito orgulhosa.
Meu ciclo terminou. Como a mosquita que põe ovos, eu renuncio à Presidência da República com a certeza de que estoquei bons ventos para as gerações futuras.
Depois que a pasta de dente sai do dentifrício, ela não volta mais para dentro do dentifrício. Deixo o cargo exatamente com este sentimento: de que as investigações que meu governo começou não podem ser revertidas. Afinal, está chovendo.
Peço ao novo governo que olhe pelas crianças e pela figura oculta atrás delas. Elas são o futuro do país.

O Pavilhão do Atraso

(Inspirado na brilhante ideia do meu amigo Andre Zaru)
O Museu do Amanhã foi recentemente inaugurado no Rio de Janeiro. Apropriado, não? País do futuro, Museu do Amanhã. É um futuro que nunca chegou e, do jeito que vai, nunca chegará. Se o museu fizer jus ao nome, o acervo será riquíssimo: inflação, desemprego, insegurança social, impostos. Tudo isso faz parte do nosso avenir.
Mas, para crianças e jovens, é importante estudar a História, para que entendam como pudemos chegar a este ponto. Portanto, parte do espaço no entorno do Museu do Amanhã poderia ser usado para abrigar o “Pavilhão do Atraso”, museu dedicado a ajudar as novas gerações a entender o porquê de o Brasil ser tão pobre socialmente, institucionalmente, tecnologicamente e, cada vez mais, economicamente.
Para acessar o Pavilhão do Atraso, o visitante teria que comprar seu ingresso na hora, pois não haveria venda pela internet. Ele entraria numa fila para pegar uma senha que lhe desse acesso à bilheteria. O pagamento seria s…