Thursday, October 13, 2016

Zeros à esquerda

Uma das observações mais intrigantes quanto aos políticos de esquerda é a diminuta posição patrimonial que insistentemente declaram à Justiça Eleitoral. Este ano, na eleição municipal do Rio de Janeiro, houve alguns representantes importantes desta trupe: Molon - antes de herdar alguns bens – reportava R$ 26 mil enquanto Freixo informa a quantia de R$ 5 mil.

Ora, um cidadão que ganha salário mínimo e consegue, após certo tempo, acumular R$ 5 mil, ou R$ 26 mil, é um herói. Ele mostra disciplina orçamentária e diligência em seus investimentos. Em contrapartida, é muito curioso que um parlamentar com salário mensal de R$ 20 mil (ou mais) além de incontáveis ajudas de custo chegue ao final de vários mandatos (ou mesmo de meio mandato) com um patrimônio tão pequeno...

Há algumas hipóteses não-excludentes a serem consideradas para explicar este fenômeno:

  1. A declaração à Justiça Eleitoral não ser fidedigna
  2. O sujeito ser um gastador patológico
  3. O sujeito ser um péssimo investidor de suas reservas
  4. O sujeito ser um destacadíssimo filantropo
  5. Os bens que o sujeito possui terem sido recebidos como presentes ou pertencerem, na verdade, a amigos 

Vejamos uma a uma.

  1. Se a declaração de bens não é fidedigna, o candidato burla a lei e, portanto, não tem qualificação ética para disputar um cargo público.
  2. No caso de o candidato ser um perdulário incontrolável, é uma temeridade que ele seja eleito e assuma a “gestão” dos recursos públicos. O Brasil já viu como foi a performance da gerenta/presidenta nesta disciplina... Não faltou aviso, pois sua lojinha de artigos a R$ 1,99 não foi muito longe...
  3. Um salário de R$ 20 mil, acrescidos de diversas ajudas de custo, é suficiente para fazer frente a  muitas despesas mensais. Ou seja, deveria sobrar algum trocado – R$ 2 mil por mês parece perfeitamente factível. Ao final de cada mandato de 4 anos, essas economias, se guardadas embaixo do colchão (ou na cueca, como a turma de esquerda costuma fazer), somariam R$ 96 mil. Se investidas na poupança (normalmente um mau investimento), resultariam em algo como R$ 108 mil ao final de um único mandato. Ou seja, o sujeito tem que ser um péssimo investidor para conseguir a proeza de deter um valor tão baixo. Será que os candidatos decidiram, em uníssono, acreditar na gerenta e comprar tudo em ações da Petrobrás ?
  4. Não se pode descartar a hipótese de os nobilíssimos candidatos socializarem sua riqueza, algo tão defendido por eles... Mas é improvável que sejam filantropos tão magnânimos a ponto de lhes sobrar um patrimônio tão minguado. Se este fosse o caso, estariam veiculando tal virtude aos quatro ventos em seus programas eleitorais... #sóquenão... Rejeita-se esta hipótese.
  5. Sem comentários.


Os valores reportados são, de fato, altamente intrigantes, ou mesmo impossíveis. A analogia aqui é um motorista que declara ir de carro do Rio de Janeiro a São Paulo em 3 horas, uma velocidade média superior a 140 km/h... Possível? Sim. Provável? Não. Se a declaração for ainda mais exagerada – 2 horas para percorrer o trajeto – não é necessário nem ponderar sobre o tema, pois a velocidade média necessária – superior a 210 km/h – é inexequível. Rejeitar-se-ia sumariamente a hipótese de o motorista estar falando a verdade. Cinco mil reais de poupança seriam 140 km/h ou 210 km/h? O leitor decide.

Por que então esta obsessão dos políticos de esquerda em reportar tantos zeros à esquerda de seus patrimônios e tão poucos à direita, informando valores que beiram o não-crível?

(Parênteses: Aliás, Lula é o ícone desta obsessão. Tinha faturamento suficiente com “palestras” para justificar as aquisições de seu tríplex e de seu sítio... Mas, como colocou o prefeito Eduardo Paes, Lula ainda tem alma de pobre. Só a alma.)

Uma possível explicação vem da nossa conexão lusitana. As Capitanias Hereditárias foram cedidas a amigos do rei, que sabidamente não eram pessoas competentes, honestas ou de bem. Portanto, já no início de nossa História, ter dinheiro podia ser uma mancha no caráter. Mais tarde, com a vinda de D João VI, oficializou-se a venda de favores reais para bancar o déficit galopante da corte. Ou seja, quem era endinheirado metia-se em esquemas e negociatas. E por aí vai. É uma pena que ainda não tenhamos vencido este estigma...

... Será por esse motivo que os candidatos mais abastados, Molon (mais de R$ 1 milhão reportado, após herança) e Jandira (R$ 550 mil informados), tenham tido uma votação tão inexpressiva? O fato é que Freixo – com seus R$ 5 mil – foi o grande preferido das esquerdas.

Os paulistanos felizmente já viraram a página da preferência caridosa por “hipossuficientes”. Elegeram um empresário de sucesso que declarou possuir bens de quase R$ 200 milhões. Muito melhor ter este cidadão como gestor do que alguém que não consegue administrar suas finanças domésticas (mesmo com polpudos salários e benefícios), seus investimentos ou sua lojinha de R$ 1,99.

O Rio de Janeiro e muitas outras praças, infelizmente, ainda preferem os zeros à esquerda.


Sunday, October 9, 2016

Na sala de aula

Escola e classe hipotéticas. Professor, infelizmente, baseado em fatos reais. Aula de História em algum lugar do Brasil.

— Bom dia, turma. Hoje vamos falar sobre democracia, um conceito que nasceu na Grécia Antiga e...

— Professor – interrompe um aluno – Se é um conceito tão antigo, por que vamos estudá-lo? Estamos no século XXI...

— Boa pergunta. Ideias boas, como as de Marx e outros, mesmo que antigas, devem ser bem entendidas para, então, ser colocadas em prática. No caso em pauta, é importante estudar o que é democracia para entendermos bem o golpe de estado que ocorreu no Brasil este ano. Vejam que...

— Professor, Marx não é aquele escritor que pregava a socialização dos meios de produção?

— É sim – completou outro aluno – E as ideias dele nunca deram certo. Nem em Cuba, nem na Venezuela e nem na Coréia do Norte, só levaram a sofrimento, miséria e atraso. E tem mais...

— Silêncio – interrompe “democraticamente” o professor. O assunto que vamos estudar hoje é democracia. Vamos nos ater a ele, certo? Como eu ia dizendo, a democracia surgiu na Grécia Antiga, nas cidades-estado gregas, onde cada cidadão adulto tinha direito a votar e escolher seus representantes no poder. Os candidatos que tivessem mais votos, e portanto mais alinhados aos interesses do povo, recebiam um mandato para governar.

— Professor, então os Estados Unidos não são uma democracia! – brada um aluno.

— E nem a Inglaterra! – diz outro.

— Gente, pondera o professor, acho que vocês estão trocando as bolas. Por que dizem isso?

— Professor, nos Estados Unidos, o voto popular é apenas uma recomendação de voto para o colégio eleitoral daquele estado, que pode acatar ou não a vontade do povo. Ademais, na eleição de 2000, Al Gore recebeu um número maior de votos mas não foi eleito, pois perdeu em número de delegados. George W Bush foi eleito com menor votação popular que Al Gore.

— Que besteira! , diz outro aluno. Claro que os Estados Unidos são uma democracia, todas as pessoas têm direito a expressar suas opiniões, são livres e podem ir e vir à vontade. O estado existe para servir o povo, e as pessoas têm pleno direito de reclamar e exercer sua cidadania de forma participativa. E o sistema bipartidário evita oportunismo ideológico e partidos de aluguel como temos aqui.

— Você é um filhote de enlatado, meu filho! Ataca o professor. Os Estados Unidos são um país opressor que...

— Um país muito bom, isso sim, diz outro aluno – Já vivi lá e as pessoas têm uma vida digna, mesmo aquelas que ganham menos. E, apesar de o voto ser por colégio eleitoral, todos concordam que se vive numa democracia. Inclusive, o voto é facultativo, pois as pessoas são livres também para optarem por não votar.

— Chega, interrompe o professor, já irritado. Alguém falou em Inglaterra? Gostaria de ouvir...

— Sim, fui eu – identifica-se um aluno no fundo da sala. A Inglaterra não é uma democracia pois tem rei, que não é escolhido democraticamente.

— Você está enganado, rebate outro aluno. Os ingleses escolhem seus parlamentares pelo voto direto, bem como o primeiro-ministro. O rei é o chefe de Estado, que representa o país em certas funções. Mas o chefe de Governo é o primeiro-ministro, que é escolhido pelo voto popular. São dois poderes distintos, e o sistema funciona muito harmoniosamente, não só no Reino Unido como também em outros países.

— Mas o rei pode dissolver o parlamento, responde o aluno do fundo. Isso é golpe!

— Não, não é golpe. É um mecanismo para interromper um parlamento que não goze mais da confiança do povo. É democracia na veia, pois é um ato para proteger o povo de um governo temerário. É algo usado muito raramente nas monarquias constitucionais como Reino Unido e Espanha.

— Silêncio, grita o professor. Estamos fugindo do tema. Quero falar do golpe de estado que ocorreu no Brasil este ano. Um mandato legítimo foi interrompido pelo parlamento.

— Professor, os parlamentares tinham poderes legítimos para isso?

— Ãaaa, bem, isso é discutível. Veja que apenas em caso de crime comprovado os parlamentares poderiam...

— Professor, os parlamentares não são eleitos pelo povo? Eles não nos representam então para julgar se o impeachment procede?

— Bem...

— Claro que não, diz outro aluno. O modelo brasileiro é completamente distorcido. Apenas uns 30 deputados foram eleitos com seus próprios votos, os outros 500 foram ajudados pelos votos da legenda.

— É mesmo?, pergunta uma aluna. Explica melhor?

— Explico. Alguns deputados que receberam muitos votos – e portanto eram os escolhidos do povo – acabaram não sendo eleitos porque o sistema brasileiro também leva em conta os votos em cada partido.

— Que absurdo! Quer dizer que aqueles representantes que o povo escolheu não são os que receberam o mandato?

— Exato.

— Que doidera. Isso não é democracia!

— Não mesmo. E muitos dos deputados que se elegeram com votos dos outros ficam falando de golpe à democracia, veja você...

— Silêeeeencio! Chega dessa zoeira, grita o professor. É claro que temos uma democracia, onde vocês estão com a cabeça? Infelizmente, este ano tivemos um golpe, inclusive condenado por governos de outros países, Cuba, Venezuela e outros. Mas eu confio que em 2018 a esquerda vai...

—Hahahaha, explode de rir uma aluna. Cuba e Venezuela nos acusaram de golpe de estado? Professor, a turma que está no poder em Cuba há quase 60 anos nunca recebeu um voto. O senhor está louco? E a Venezuela tem um governo...

— Fora de sala! Já para a coordenação.

— Peraí, diz um aluno. Professor, na democracia cada cidadão pode expressar sua opinião e é necessário conviver com as diferenças. Do contrário, há abuso de poder que, se não for coibido, invalida o status de democracia em primeiro lugar. Então...

— Fora de sala você também! Os dois engraçadinhos vão se entender com a coordenação.

—  Alto lá, diz a representante de turma. Eu fui eleita com o voto popular, um voto para cada aluno, sem quociente eleitoral ou outro truque qualquer. Então, investida desse poder, eu digo que vamos exercer uma democracia aqui.

— Mandou bem! Isso aí! Bravo! Os gritos ecoavam pela sala, enquanto o professor asistia perplexo.

—   Silêncio, por favor – pede a representante. Quem vota para o professor sair de sala, levante a mão... Pronto. Agora, quem vota para nossos colegas saírem de sala, levante a mão... Certo... Professor, em nome da democracia, retire-se da sala. O senhor pode tentar lecionar essa baboseira em Cuba ou na Venezuela. Boa sorte.


E, então, diversos alunos desta turma ingressaram na vida pública. Anos mais tarde, conduziram uma reforma política no Brasil, de forma a acabar com os partidos-anões, o quociente eleitoral e outras jabuticabas. Final feliz.


Thursday, October 6, 2016

Cheirinho de hepta

O cheirinho de hepta está no ar... Não, ele não se dissipou depois do empate do Flamengo com o São Paulo. Na verdade, o cheirinho ficou mais forte no último fim de semana.

É o cheiro do hepta da cidade do Rio de Janeiro! O heptacampeonato de pior eleitorado das galáxias. Um povo demente que não entende que as escolhas de hoje terão consequências por vários amanhãs. Um bando de desmiolados que gosta de politizar até eleição de síndico e comodoro. Uma cidade que, mesmo passados 56 anos, ainda tem ranço de ser ex-capital.

Exagero? Então vejamos o rol de títulos.

O estado, com expressiva ajuda dos cariocas, elegeu Garotinho em 1998, Garotinha em 2002, e Cabralzinho duas vezes, em 2006 e 2010. Para a prefeitura, a cidade conseguiu façanhas à altura, escolhendo Saturnino em 1985 e Benedita em 1992. Somos hexa!

(Pausa: nem se computa aqui o bicampeonato do desastroso Leonel Brizola para não “bater em morto”)

E agora com Freixo temos a chance de levar o hepta. Já pensaram? Marcelo Freixo, um candidato que defende black blocs (quando conveniente), desarmamento da polícia, sexualização da educação, criação de novas secretarias... sem falar nas ideias comunistas do século XIX, aquelas que deram tão certo na Venezuela, em Cuba e na Coréia do Norte.

Freixo não respeita a propriedade privada, afirma que a quebradeira anárquica dos black blocs é um “movimento legítimo”. Max Weber preconizou que “o Estado é o ente que detém monopólio da violência legítima”. Freixo discorda, acha que qualquer causa idiótica legitimiza a violência – ou seja, não concorda com o conceito de Estado. Portanto, concorre para um cargo que considera inútil. Você, eleitor de Freixo, é mera massa de manobra.

Freixo paz e amor entende que de nada adianta prender um bandido. Ou seja, todos os países do mundo estão errados em ter um código penal e um sistema prisional, e o Rio de Janeiro vai mostrar para todos como se combate violência com inclusão social. Esta é uma piada melhor do que qualquer das memes sobre o candidato que viralizaram nas redes sociais. Se pudesse, Freixo soltaria todos os bandidos presos, ele defende anistia. Soltaria desde Beira-Mar até o camarada Palocci, tornando o experimento ainda mais “cool”. Em seu primeiro ato, caso seja eleito, Freixo poderia decretar luto oficial pela morte recente de Fat Family, mais uma vítima da sociedade.

Freixo tem este discurso bacaninha sobre inclusão social mas trata-se da mais pura hipocrisia. Como já apontado em diversos artigos, o amigo dos bandidos anda pela cidade munido de guarda-costas e carro blindado. Estaria com medo dos coitadinhos? Quando se sentiu ameaçado, há alguns anos, foi passar um tempo na Espanha. ¿ Qué te pasó, muchacho ?

Em terras opressoras, funciona diferente. Nova Iorque consertou a violência urbana com a política de tolerância zero de Rudolph Giuliani. Quem pichava o muro, ia para a delegacia passar uma noite. Idem quem pulava a roleta do metrô. Isso constrangia o delinquente perante sua família e o desmotivava a seguir na carreira do crime. Funcionou... e como funcionou. A segurança levou mais negócios e turistas à cidade, que hoje contabiliza 60 milhões de visitantes por ano, sendo 12 milhões de estrangeiros.

E como seria o Rio de Janeiro de Freixo e de suas ideias malucas de segurança pública? Combater violência urbana com mais iluminação pública e menos polícia soa como plataforma do século XIX ou de vilarejo na Finlândia. A única segurança desta sandice é que vai, seguramente, acabar de vez com o turismo na cidade. Quem já assistiu ao filme-B “The Purge” tem uma ideia de como será o cotidiano carioca com Freixo no ”comando”.

As alas “do bem” esquecem que o bandido de 10 anos de idade, que já pega em armas e mata, é produto das políticas “progressistas” dos 13 anos de PT. Este sujeito não viveu sob a opressão de partidos de direita no governo federal, servindo de evidência empírica quase imaculada para desconstruir a tese de que inclusão social – por si só – serve de receita ou remédio para a questão da violência urbana... É frouxidão, com trocadilho.

O discurso descolado de Freixo enganou até o bobalhão do Capitão Nascimento... talvez não o capitão da vida real, mas o do filme – Wagner Moura – não se cansa de rasgar seda pro candidato. Ah, o Rio, capital da cultura e seus intelectuais de vanguarda, sempre apressados para abraçar publicamente e vocalmente o que há de pior. O capitão personagem é bem mais esclarecido.

É um milagre que cidade e estado ainda funcionem, mesmo que mal e porcamente, após tantos danos impingidos por seu eleitorado boçal. Que outra sociedade teria resistido a um retrospecto como o do nosso hexa?

Mas será que o Rio aguenta o hepta? "E o ai, Jesus"... seria um desgosto profundo.

(P.S. torcendo apenas para o hepta do Mengão)