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Showing posts from 2017

Lula e a baleia

O filme “A lula e a baleia” retrata o divórcio de um casal novaiorquino e como o processo de guarda compartilhada afeta seus filhos. Os irmãos ficam divididos, sendo que o mais velho toma o lado do pai e o caçula tacitamente se aproxima da mãe.
** Assim como a família do filme, Lula está dividido. Ele sabe que a situação fiscal do Brasil é gravíssima e que a reforma da previdência é indiscutivelmente necessária. Por outro lado, se puder ser candidato a presidente e eventualmente se eleger (... mas livrai-nos do mal, amém ...), ele perderia muito capital político capitaneando um arrocho fiscal.
Lula é muito bom em surfar o que os outros fizeram antes dele e tomar para si a autoria daquilo que deu certo e/ou que caiu no gosto do eleitorado. Provavelmente, é sua maior competência. O grau de investimento foi conferido ao Brasil durante seu mandato, fruto da Lei de Responsabilidade Fiscal promulgada na gestão FHC. Mas Lula tomou para si esta conquista. O bolsa-escola, criado também na era FH…

Muito além do jardim

O clássico filme “Muito além do jardim” foi um dos pontos altos da carreira do célebre ator Peter Sellers. A película retrata a trajetória de Chauncey, um fictício jardineiro analfabeto que, por uma sequência fortuita de eventos, acaba se tornando um presidenciável messiânico em uma América abatida por sério revés econômico.
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Em maio de 2017, o governo Temer entrou em crise após o jornalista Lauro Jardim publicar que o presidente havia sido gravado por Joesley Batista e que, no áudio, Temer dava aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha. O episódio teve diversos desmembramentos bem conhecidos, mas uma pergunta-chave passou ao largo da imprensa: como o jornalista teve acesso a material sigiloso que só foi disponibilizado ao público alguns dias depois?
O aúdio revela uma conversa obscura e reprovável, permeada com temas absolutamente não-republicanos e prevaricação do presidente. Mas, de forma alguma, mostra Temer dando aval a eventual compra de silêncio. Ou seja, se o jornalista …

Pretérito mais-que-imperfeito

O ex-ministro Pedro Malan certa vez disse que, no Brasil, até o passado é incerto. Não é 100% verdade. Há a certeza de que o passado sempre muda para pior, trazendo consequências que garantem que o Brasil nunca será o país do futuro.
A recente MP 806 que altera a tributação de fundos exclusivos é a perfeita demonstração disso.
Há cerca de 15 ou 20 anos, a Receita criou o “come cotas”. Parece nome de videogame vintage mas não é – tratava-se de um sistema para antecipar a cobrança de imposto de renda devido por cotistas de fundos de investimento.
Antes do nosso Pac-man fiscal, os cotistas eram tributados somente no resgate. Ou seja, um investidor pessoa-física que detivesse um título de 5 anos seria taxado apenas no vencimento do papel, ao passo que o cotista de um fundo de investimento que detivesse títulos de 1 ano e reinvestisse o capital todo ano só seria taxado no resgate de suas cotas, quem sabe ao final de 10 anos. Dito de outra forma, um fundo com estratégia de investimento de curt…

Não perturbe

A maioria dos quartos de hotel tem aquele penduricalho na maçaneta da porta: de um lado “não perturbe”, do outro “por favor, arrume”.
Os lares brasileiros precisam, com urgência, colocar o sinal “não perturbe” em suas portas. Os teatros, cinemas e museus idem. A “arte” perturbadora é um vírus como o ebola: vem dos “macaquinhos”, pula para o homem e causa estragos.
Nos últimos anos, agendas como ideologia de gênero e minorias LGBT têm ocupado um espaço desproporcional na mídia. Os “artistas” abraçam estas causas, espertamente usando-as como ferramenta de marketing e pegando carona naquilo que está dando Ibope. O resultado tem sido uma arte excessivamente politizada que, ultimamente, mutacionou para uma “arte” cujo único objetivo é ser perturbadora.
Nada errado com arte perturbadora: Picasso, Paganini, Machado de Assis não são exatamente uma dose de lexotan, mas indiscutivelmente são artistas atemporais. Também não há nada errado com a arte que acalma os sentidos, como Monet e Simon and Ga…

Rock in Sampa

Mais uma edição do Rock in Rio. Esse ano, como sempre, um monte de coisa que não é rock: Fergie, Ivete, etc. Tudo bem, pois os fãs de rock foram brindados com shows irretocáveis de clássicos como Def Leppard e Tears for Fears, além da lenda do rock The Who.
Certo? Errado.
As apresentações dessas bandas foram, de fato, excepcionais. Mas a organização do evento fez trapalhadas que o roqueiro carioca e os milhares de turistas que prestigiaram o evento não podem perdoar.
Def Leppard é uma banda cheia de história. O cancelamento da vinda na primeira edição do Rock in Rio, a amputação do braço de Rick Allen, a volta por cima com o mega-álbum Hysteria (um dos discos mais vendidos da história), a morte de Steve Clark e a ressurreição do conjunto com Vivian Campbell. E uma incontável coleção de clássicos nessa trajetória, um deles “Foolin“, música indispensável nos shows da banda desde o álbum Pyromania.
Bem... exceto no Rock in Rio. A desastrada organização, independente da magnitude do artista, …

Como água para chocolate

O filme mexicano “Como água para chocolate” foi um sucesso do cinema nos anos 90. Ele conta a história de Tita, uma jovem cuja família tinha uma regra: a irmã mais nova deveria cuidar da mãe até sua morte e, para isso, não poderia se casar.
No Brasil, temos diversos entes públicos cuja missão parece ser cuidar da burocracia até sua morte (teríamos um Highlander aqui?) e, para tal, não podem permitir o progresso econômico e social. O Cade é um deles.
Em 2002, a Nestlé firmou a compra da Garoto, promovendo a fusão em 2003. Agora – 14 anos depois da combinação das companhias – o Cade determina que a Nestlé é obrigada a vender certas marcas de seu portfólio. O leitor entendeu bem: 14 anos depois. E a burocracia segue vivinha da silva.
A missão do Cade é a “defesa econômica”, ou seja, evitar a formação de grupos ou cartéis que controlem preços e lesem o consumidor. Será que nesses 14 anos o consumidor de chocolates sentiu-se “indefeso”? Claro que não, pois o negócio de fabricação de chocolate…

Indigna Nação

Ah, os artistas... Sempre eles...
Samuel Rosa, líder da banda Skank, tentou dar um recadodurante sua apresentação no Rock In Rio mas não foi muito feliz. Esboçou uma linha de raciocínio meio tosca para esculachar os políticos brasileiros e separá-los do povo. Ninguém discorda que nossos políticos merecem ser esculachados, extirpados, presos. Mas você acredita mesmo no povo brasileiro, Samuel? Quem colocou os políticos em seus cargos, Samuel? “Cada povo tem o governo que merece”, já dizia Joseph-Marie Maistre em 1811.
O pior foi a reação do povão – aquele em que Samuel acredita. Os brados de “Fora, Temer” ecoaram em uníssono pelo mar de gente que lotava a Cidade do Rock. Será que ninguém entendeu nada? Samuel tentava separar o povo brasileiro de toda a escória política, e a galera responde com bordão de cunho político. Será que sabem que Rodrigo Maia – outro político, de família e de carteirinha – assumiria o comando? Meu Deus... Só faltou o grito de “Volta, Lula” para carimbar de vez q…

Yes, we have storms!

Enquanto o mundo inteiro acompanha o furacão Irma, é interessante imaginar como seriam os furacões do Atlântico se eles nascessem no Brasil...
Os furacões Gisele, Alessandra e Izabel já conhecemos bem. Saíram do Brasil, chegaram aos EUA, arrebentaram por lá e continuam causando estragos aos corações.
O furacão Neymar seria ensaboado, driblando os fiscos de todos os países por onde passasse. Geddel, por sua vez, faria chover dinheiro vivo.
A tempestade Fernando Henrique seria inofensiva – daria palpite em tudo mas não sairia do lugar, ficando sempre à esquerda.

Já o furacão Jandira carregaria faixas ridículas (“Não mexam nos meus direitos”), posaria com “intelectuais”, defenderia marginais, drogados e arruaceiros, mas no final só teria 3% de votação. Categoria 1, sem necessidade de evacuação. Causa mais raiva, indignação e vergonha do que devastação. Freixo é parecido, porém muito mais perigoso. Conta com alto poder destrutivo apesar de parecer uma brisa do mar.
Joesley seria um furacão de …

Intelectuais, uma vírgula

Ah, nossos intelectuais... Que turminha tinhosa. Não perdem a chance de se imiscuírem em qualquer debate, sobre qualquer assunto, sendo que em 99% dos casos defendem ideias datadas, estapafúrdias e/ou de interesse próprio (mas não prescindindo do disfarce altruísta).
Recentemente, num ato em suporte ao juiz Bretas (e, claramente, expondo o lamentável Gilmar Mendes) parecem ter tido o raro 1% de acerto. Será?
Quase. Bateu na trave. O cartaz que foi utilizado para o “momento Kodak” do evento continha um erro grosseiro de português. “Não se separa o sujeito do predicado com vírgula”, repetem ad nauseum os professores de Língua Portuguesa. Mas nossos intelectuais cravaram lá: “O Rio, está com você”. Respondendo na mesma moeda: “Este autor, lamenta que vocês tenham tanto espaço na mídia”.


Não foi só em Língua Portuguesa que nossa “elite intelectual” levou bomba na escola. Não aprenderam nada em matemática. Qualquer criança de seis anos que já saiba somar e diminuir consegue antever que aq…

Suprema inconsistência

Nova crise política deflagrada pela gravação da conversa do presidente Temer com Joesley Batista. Mudam os protagonistas, segue o circo em Brasília.
Neste momento de incerteza, especulam-se cenários e, em cada um deles, qual seria o rito no Supremo Tribunal Federal e como a corte se posicionaria. Muitos brasileiros confiam na higidez do STF e na sua condição de bastião da democracia, da justiça e da Constituição.
Infelizmente, nestes últimos dois ou três anos de bandalheira, o STF tem sido um espetáculo à parte. Tragicômico, senão pastelão. A corte que deveria servir de exemplo ao poder judiciário apresentou comportamento errático, inconsistente e, por vezes, vergonhoso.
Lembremos:
O STF retirou Renan Calheiros da linha sucessória pelo fato de ele ser réu. Então, por que motivo cósmico Lula, também réu, pode ser candidato à presidência? A sociedade está cansada de dois pesos e duas medidas, afinal todos são (ou deveriam ser) iguais perante a lei. Não ensinam mais isso na faculdade de…

Sob o manto da ilegitimidade

O presidente Michel Temer tem sido firme nas negociações das reformas. Há uma chance razoável de – em apenas dois anos – Temer engendrar a aprovação das reformas previdenciária, trabalhista e política.
Temer é impopular, tachado de golpista por diversos setores da sociedade e próximo a diversos políticos citados nas delações da Odebrecht. Temer não foi eleito presidente (assim como Sarney e Itamar), mas sua chapa foi eleita pelo voto direto duas vezes. Ainda assim, Temer tem o estigma de ilegítimo.
Que bom! Trata-se de uma grande vantagem para ele e o habilita a mudar o Brasil.
Nenhum candidato seria eleito com uma plataforma de reformas impopulares no curto prazo, pois alteram o status quo e tiram diversos grupos de sua zona de conforto. Politicamente, é difícil propor reformas cujos benefícios começarão a ser percebidos em 5, 10 ou 30 anos. Mesmo nos países nórdicos, que gozam de alto nível de educação, seria difícil imaginar um candidato com este tipo de agenda de longo prazo vencendo…

Je suis Tiriricá

Há algumas semanas, o deputado federal Francisco Everardo, mais conhecido como Tiririca, postou uma carta abertanas redes sociais. Nela, o deputado repudia a ligação incestuosa de seus colegas parlamentares com a Odebrecht, diz-se decepcionado com a atitude de os políticos buscarem vantagens pessoais em detrimento do bem comum e, ao final, relata sua vontade de “esganar esses canalhas”.
Senhoras e senhores! Respeitável público! Apresento-lhes um político que fala a verdade, um homem que entrou na vida pública sob chacota e que, hoje, dá lição de conduta republicana à maioria dos parlamentares de carteirinha. Uma salva de palmas!
Tiririca exalta o juiz Sergio Moro, fazendo votos que prenda “todos os bandidos que roubaram a Petrobrás, o BNDES, a Previdência e a esperança dos brasileiros”. A carta defenestra a Lei de Gérson, aquela pela qual o indivíduo “quer levar vantagem em tudo” e afirma que está faltando aos homens públicos decência e entendimento de que seu papel é servir o povo. Ti…

A greve mais grave

Está anunciada uma greve “geral” para 28 de abril, sexta-feira. Está longe de ser uma greve geral, pois diversos setores produtivos estarão em pleno funcionamento, contribuindo para tentar tirar a economia do buraco em que a meteram. Trata-se de mais uma cortina de fumaça dos sindicatos e partidos de esquerda, com objetivo de desviar a atenção da opinião pública da realidade que está sendo desnudada pela operação lava-jato. E, convenientemente, a tal greve acontecerá na véspera de um feriadão.
Os baderneiros já aprontaram outras bagunças nos últimos anos. Tudo motivado pela política e pelo desespero de estarem perdendo as benesses que acumularam ao longo dos últimos governos.
Muitas pessoas não repreendem essas manifestações, mesmo sem concordar com sua motivação, amparando-se na defesa do direito constitucional à greve. Quem pensa assim foi iludido pelo teatro dos desordeiros, pois o direito à greve refere-se ao debate de questões patronais. Convocação de greve geral por agenda polític…

Atropelation Blues

Há algumas semanas, indo para o trabalho de bicicleta, fui atropelado. Não, eu não fui imprudente – ao contrário, cruzei uma rua de mão dupla na faixa de pedestres, após aguardar que o sinal dos carros fechasse. No meio da travessia, na linha divisória da pista, fui derrubado por um motoqueiro.
Lembro-me mais da pancada inicial do que da minha aterrisagem no asfalto duro, quente e áspero. Levantei-me perplexo, revoltado e preocupado. Não sabia se o mais importante era verificar minha integridade física ou passar um baita sermão no motoqueiro.
Não sei se em outra ocasião o infeliz teria fugido, mas o fato é que havia três guardas de trânsito (a velha eficiência brasileira – um sinal, três guardas) que já estavam a postos quando me dei por mim novamente. Os guardas nos conduziram até a calçada e iniciaram a tomada de dados do apressadinho.
Depois de ratificar que eu não precisava ser removido para um hospital, um dos guardas perguntou se eu desejava abrir um processo contra o infrator por …

Grapiche

A determinação do prefeito de São Paulo, João Dória, em estabelecer uma sensação de ordem é louvável. A política “no broken window” de Rudolph Giuliani foi uma das alavancas para a transformação de NY em uma cidade segura. No caso de São Paulo, o primeiro alvo foi repintar os muros pichados e grafitados em locais onde tal prática não estava autorizada. Nada mau, certo?
Errado. Começa o mimimi. “Grafite é arte”, “pichação é uma maneira democrática de o povo se manifestar”, e por aí vai. Sério mesmo que a ordem pública (condição necessária mas não suficiente para progresso) tem que se sujeitar a essa discussão? Parece que sim, infelizmente.
O brasileiro paga muito caro por obras públicas, que acabam custando o triplo do que deveriam e demorando o quíntuplo do prazo estimado. E o povo reclama disso, com razão, vai às ruas protestar, grita, faz abaixo assinado. Qual é, então, o sentido de um sujeito pichar uma obra pública? Está ferindo o patrimônio público tal qual o político que desvia di…